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Eu, o tempo, os problemas externos e a mãe que eu quero ser.

Sempre tive um certo orgulho da mãe que eu me tornei.

Não um orgulho mesquinho, nem presunçoso de achar que sou perfeita ou mais mãe melhor mãe que qualquer outra… Mas, um orgulho que vem do auto reconhecimento e uma auto valorização pelo quanto eu aprendi, do tanto que eu mudei, dos limites que minha paciência chegou alcançar e por todas as manhãs que consegui contar até 10, engolir o meu mau humor matinal e não explodir.

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O cérebro do bebê

Já faz um tempo descobri um documentário sobre o cérebro do bebê, realizado por Eduard Punset (político, escritor, economista e divulgador científico espanhol, autor do livro “el viaje al amor” entre outros) entrevistando a Sue Gerhardt, (psicóloga, escritora, considerada uma das maiores especialistas no seu campo de pesquisa, autora do livro “Why love matters” entre outros), que me tocou profundamente e depois de vê-lo repetidas vezes, fiquei com vontade de divulga-lo e divulga-lo e divulga-lo.
Pensei no importante que poderia ser se todas as pessoas (pais, tios, avós, educadores, médicos, vizinhos, palpiteiros de plantão e especialmente os políticos..) refletissem sobre o verdadeiro significado de cuidar de um bebê, e aprendessem que o amor é essencial para o desenvolvimento do cérebro e a importância fundamental de ser sensível às necessidades dos pequetitos especialmente nos primeiros anos de vida.

Comecei a transcreve-lo para poder posta-lo no blog, mas não sei porque acabei deixando pela metade, em um documento perdido em uma pasta qualquer do computador, até que nesse fim de semana em um desses momentos que observo meu petit sob um outro prisma, busco meu filho bebê e encontro um garotinho independente, me veio à cabeça os conselhos (não utilizados, mas que geraram dúvidas e auto-questionamento) sobre cultivar a independência de quando ainda são bebês e uma frase do documentário que me marcou muito:

“para um ser humano seja realmente independente deve ter sido primeiro um bebê dependente”.

Nessa hora fiz um lembrete mental, recuperar o rascunho e dividir com vocês essa entrevista.

O documentário não é novo (2007), tampouco super original, já que ultimamente diversos profissionais vêm nos alertando da importância de satisfazer prontamente às necessidades dos bebês.

Mas na minha opinião é lindo, atual e super necessário!
Alem das explicações cientificas, é um convite a rever nossos conceitos e quebrar alguns mitos que estão profundamente enraizados na nossa sociedade, tal como o “colo vicia”, “tem que deixar chorar”, “tem que aprender dormir sozinho desde pequeno”, “te está manipulando…”, “tem que ensinar a ser mais independente” e o tão famoso “deixar mal acostumado” usado de forma equivocada especialmente relacionado a colo, amamentação e dormir.

Eu realmente acredito que se a sociedade levasse mais a sério a maternidade e a primeira infância, dando suporte às famílias, para que elas possam criar seus filhos com amor, dedicação e respeito incondicional, mudaríamos o mundo. Simples assim!
Mas também sou consciente que o que é divulgado no documentário, está bastante longe da realidade atual, seja por questões políticas, praticas, financeiras, ou mesmo por falta informação. Infelizmente!

O documentário está em castelhano, é um pouco longo (47´) mas deixo o link para quem se interessar.
“El cerebro del bebé”

Fiz um resuminho traduzido do que eu achei mais importante.

E pra finalizar tambem deixo o link de uma entrevista recente à Sue Gerhardt, que saiu na Folha de São Paulo e coincidentemente recebi essa semana, da minha amiga Mirela, (gracies!) que acredito, complementa muito bem esse post.

Palavrinhas magicas

Esses dias escutei do pequeno um “biadu” (obrigado!) ao dar-lhe um prato com fruta cortadinha.
Não deu pra evitar, um sorriso de orelha a orelha e um beijo estalado e emocionado de “de nada filho”.
Foi legal porque primeiro ele falou em catalão, para logo corrigir e falar em português, mas alem dessa questão linguística, fiquei orgulhosa mesmo quando me dei conta de que ele agradeceu, porque vê que tanto eu quanto o pai dele sempre dizemos obrigada/gracies, quando um ou o outro traz o prato.
Desde que ele começou com a fase papagaio tagarela, (ou desde que ele repetiu alto e em bom tom, um “merda” dito por mim em um momento de raiva, comecei a ter muito mais cuidado com o que eu falo. Criança aprende por imitação – o bom e o ruim – e está muito mais atenta no que você fala e faz no dia a dia, do que no que você insiste em pedir que ela repita.
Depois desse “biadu” dito de forma totalmente espontânea, as “palavrinhas mágicas” (por favor, obrigada, saúde, licença, desculpa…) entraram de forma obrigatória no meu vocabulário diário e por mais delicioso que seja ouvi-las quero me esforçar para não dizer sempre: “como é que faaaaaaala?” quando ele recebe um presente e na empolgação de abri-lo esquece de dizer obrigado, nem nas reuniões com amigos estar atrás dele dizendo “por favor, né filho?” cada vez que ele for pedir algo e principalmente não obriga-lo a pedir desculpas (que não quer dizer não repreende-lo quando faz alguma coisa errada).
Sei que isso significa que, em algumas ocasiões, serei a mãe do menino mal educado que não pede por favor…
Mas não quero um filho, só “politicamente correto” que seja “bem educado” de forma obrigatória. Não quero que cada vez que ele tenha a ocasião de falar, eu me adiante e coloque as palavras na boca dele…. Quero que ele tenha espaço para sentir… Que ele esteja tão acostumado a ser agradecido e a ser tratado com gentileza e respeito, que sentir gratidão, ser gentil, reconhecer um erro e demonstrar arrependimento, sejam coisas naturais.
A gente aprende com nossos filhos, e na tentativa de influenciar positivamente, vou aprendendo que é menos estressante, pedir para ele: “você pode guardar os brinquedos por favor?”, aprendo que é gratificante dizer: “obrigada, meu amor” e ver os olhinhos dele brilharem, e também nos momentos que a paciência acaba (sim, tem momentos que a paciência acaba) ao dizer: “a mamãe não queria ter gritado com você. Desculpa filho!”, aprendemos juntos.
E na tentativa de ensina-lo a ser gentil, aprendo que só a gentileza gera gentileza, e que é delicioso sentir o poder dessas palavrinhas mágicas!
***
E como tudo está conectado (segundo minha cumadre Bel, neste post) encontrei esse texto que reforça ainda mais o que eu penso, e me inspira a ser a mãe que eu quero ser!
Enjoy!
AS “PALAVRAS MÁGICAS” PARTEM DO CORAÇÃO
por Jan Hunt, Psicóloga Diretora do “The Natural Child Project”

Na seção de cartas ao editor de um jornal local, uma missivista apresentou uma queixa comum: várias crianças esqueceram-se de dizer “obrigado” pelas lembranças de Halloween que ela deu. Ela ainda sugeria que as palavras são por si mesmas a forma mais importante de respeito e que se fosse preciso os pais deveriam arrancá-las à força dos filhos.

É natural magoar-se quando fazem pouco caso de nossa gentileza. Mas talvez devêssemos olhar mais longe, principalmente quando se trata de crianças.

A meu ver, há duas razões totalmente diferentes para uma criança dizer “obrigado”. Uma criança nos agradece porque apreciou autenticamente a nossa gentileza e já ouviu muitas expressões de gratidão em sua própria família (principalmente gratidão dirigida a ela).

Outra criança diz “obrigado” mas está simplesmente articulando palavras vazias, por medo do castigo. Uma atitude baseada no medo, sem a compreensão do sentido por trás do ritual, pouco vale. Essa atitude não só é desprovida de sentido como inútil, pois não atinge o objetivo desejado.

Com ameaças de castigo podemos forçar uma criança a dizer “obrigado”, mas não podemos impor a gentileza autêntica que desejamos. A verdadeira delicadeza se desenvolve em uma criança tratada com bondade. Ela não pode ser imposta ao seu coração, arrancando as palavras de sua boca. Além disso, onde está o prazer de se ouvir “as palavras mágicas” pronunciadas com submissão por uma criança amedrontada? Qualquer palavra perde sua magia se não partir do coração.

No dia das bruxas as crianças também se esforçam, escolhendo cuidadosamente sua nova identidade e fantasiando-se, depois andando uma hora ou mais.

Quantos de nós lembramos de dizer “obrigado por me mostrar sua fantasia”?

Mais do que uma questão de justiça, isso também é proveitoso porque a gentileza autêntica se desenvolve por imitação. As crianças aprendem a tratar os outros com delicadeza observando os adultos a sua volta fazerem gentilezas e recebendo explicações respeitosas sobre as razões das atitudes que preferimos. Em vez de reclamar da indelicadeza das crianças deveríamos lembrar que as crianças se comportam tão bem quanto são tratadas e tão bem como elas nos veem tratar uns aos outros.

Agregar papéis. By: Visitante 40 mil

A Mari, mãe do Caetano, do poético blog “Projeto macieira”, é a queridíssima visitante 40 mil. Ela fez um post muito legal, sobre a volta ao trabalho, eu adorei e tenho certeza que muitas leitoras mamães se identificarão com o post.
Obrigada Mari pelo carinho, os comentários e por não ter deixado passar em branco um numero tão redondinho.
Um beijo grande e boa sorte nessa nova fase.

Enjoy!

AGREGAR PAPÉIS

by Mari Tezini

Depois de matutar sobre o que escrever, resolvi falar de um assunto que está me rondando esses dias.
A maternidade é mesmo um momento de repensar muitas coisas, inclusive a vida profissional. Algumas coisas simplesmente deixam de fazer sentido e dão lugar a outras. Surgem novas possibilidades e afinidades. E que bom que isso acontece, né? Afinal não nascemos para ficarmos estagnados.
Ando observando cada vez mais mães tomando rumos diversos nessa área: mães felizes por terem sido demitidas nessa volta da licença-maternidade; mães que optaram por parar de trabalhar e ficar em casa já na gravidez; outras que foram buscar novos campos de trabalho que tivessem afinidade com essa nova fase; outras adaptaram e flexibilizaram sua profissão ao novo momento; algumas não vêem a hora de voltar a trabalhar…enfim não tem limites para esses novos arranjos.
A culpa me parece ser companheira das mães nessa fase, mas de nada adianta ficar em casa e infeliz contando tudo o que está perdendo lá fora e nem trabalhar e ficar se lamentando. O equilíbrio nem sempre é fácil de encontrar, e pra mim essa frase fala muito sobre nossas escolhas: “Mãe feliz, bebê feliz”. Escolhi não abrir mão da minha maternagem e nem do meu trabalho, porém fiz algumas adaptações e busquei alternativas que me deixassem feliz na dedicação ao meu filho e no trabalho. E o mais importante, foi tudo pensado e pesado conscientemente. Nessa hora uma dose de intuição e questionamento se faz necessária.
Felizmente poderei deixar meu pequeno com a avó ou o pai e bem pertinho de mim. Isso já faz com que metade do processo seja mais fácil para nós dois. Afinal ele tem somente 7 meses.
Eu não me vejo uma workaholic-executiva-com-dois-celulares-e-salto-alto e nem uma mulher-tanque-e-fogão-descabelada. Achei o meu equilíbrio. Diminui o ritmo. Quero que o pequeno saiba que o trabalho pode trazer prazer e realizações importantes e vou passar adiante o meu exemplo. Não existe certo ou errado, mais ou menos mãe. Existem conseqüências de cada escolha: financeiras, sociais, íntimas e familiares.
Trabalhar é um tempo só seu, se for algo que dê prazer então melhor ainda, é gostoso realizar, poder fazer algo diferente, ver os frutos do seu trabalho. Porém quero me dedicar em algo que seja significativo e verdadeiro para mim. Desde os tempos mais primitivos o trabalho sempre foi agente de grandes transformações pessoais e coletivas. E eu vou voltar porque eu quero e porque encontrei algo que acredito e quero me dedicar.
Agora a Mariana não consegue mais se separar da Mariana-mãe, não dá pra dissociar. Desde que o Caetano nasceu eu agreguei mãe ao meu nome e isso não excluiu outros papéis, no entanto os transformaram.
E essa hoje é a minha maior alegria, poder unir meu trabalho a esse novo universo que a maternidade traz a cada dia, sem precisar “ser duas”. Assim como nunca pensei em continuar a mesma Mariana de antes após ser mãe, eu também nunca pensei que para ser uma boa mãe eu precisasse deixar aquela Mariana-profissional (e mil outras) de lado. Agora muito do meu tempo deve ser dedicado ao meu filho e ponto final, não posso me jogar no trabalho tanto a ponto de chegar estressada ou cansada demais para dar atenção a ele. É uma obrigação esse compromisso com o filhote.
E vocês como conduziram esse momento na vida? Qual o caminho que tem dado certo? Foi uma decisão do casal? Como é o tempo que fica em casa com o filho? E a vontade de realização profissional, pode deixar de lado sem culpas?
Assim que eu me engrenar nessa nova fase eu venho aqui contar pra vocês como está sendo, combinado?

quando o universo conspira…

No “kit” do meu parto domiciliar estava incluído assistência durante a quarentena: assessoras de aleitamento, parteiras para a revisão e apoio da mamãe, e pediatra homeopata. O parto foi sem complicações, o bebê nasceu grande, saudável e recuperou peso rapidamente, o pediatra designado para o João nos inspirava confiança e… em time que ganha não se mexe, né?

E foi assim.. dessa forma um pouco sem planejar, que o pediatra e a homeopatia foram “escolhidos” para cuidar da saúde do João.

Ele sempre foi um bebê saudável, e seu histórico médico se resumia apenas em um par de “viroses”, a catapora e resfriadinhos, todos tratados com homeopatia, mas comentávamos que se alguma dia, o filhote tivesse alguma coisa mais grave, era bem provável que recorrêssemos a medicina tradicional.

Eu particularmente nunca gostei de antibióticos (leia-se trauma de benzectacil) e por experiência própria, acredito que a doença tratada com eles tem mais probabilidade de virar doença de repetição.

Mas… por outro lado, confesso que da vez que o resfriado do pequeno demorou demais pra passar, ou a febre durou mais do “previsto”, nos questionávamos sobre a eficácia daquelas “bolinhas”.

Na quarta-feira o João começou a ter febre, umas poucas décimas, na quinta a febre subiu um pouco mais, ele vomitou todo o almoço e depois o lanche da tarde e a janta, mas estava “bem”, alegre, brincando e dormindo normalmente, dei a homeopatia de sempre e esperei.

Na sexta, seguia com febre 38-38,5… continuei com as “bolinhas”, banho morno para baixar a febre e comecei a invocar o mantra “a febre é a defesa do corpo, a febre é a defesa do corpo, a febre é a defesa do corpo…”
No sábado, a febre atingiu a 39,5 foi quando o pequeno começou a ficar murchinho, olhinhos de dodói e sem vontade de brincar. Nessa hora o radar apita. Decidimos ir ao pronto socorro, o médico o examinou e não viu nada. “deve ser uma virose”, nesse caso a febre geralmente dura 4 ou 5 dias, receitou: antitérmico, hidratar e esperar.

Chegando em casa a febre voltou a subir, e chegou a 40,2… Passamos o fim de semana, em estado de alerta, muito colo e atenção constante.

Na segunda, a febre continuava alta, oscilava entre 39 e 40 e pouco. Comecei a ficar realmente preocupada (maldito terrorismo da gripe A). Por imaginar o pior e achar que podia ser alguma coisa mais grave, decidimos leva-lo ao pediatra do centro médico, (medicina tradicional) ali estaríamos melhor assistidos se necessitássemos fazer exames e tudo mais.

Na visita com a pediatra ela o examinou com muito cuidado e diagnosticou placas na garganta, explicou que a infecção deveria estar visível desde o domingo (por isso o médico não conseguiu ver nada no sábado). E nos deu duas opções:
1) Poderíamos trata-lo com antibióticos “de toda la vida”.
2) Ou poderíamos trata-lo com homeopatia. Rá!
E foi assim.. dessa forma um pouco sem planejar, mas cada vez mais consciente, que a homeopatia foi “escolhida” para continuar cuidando da saúde do João.
No dia seguinte o Astronauta já não tinha mais febre, no 3º dia do tratamento nem sinal das placas. Foi um grande susto, mas saímos todos fortalecidos dessa experiência. O João por dar uma oportunidade ao seu organismo de defender-se de maneira natural e nós, os pais, por aprender a confiar um pouco mais no poder que o corpo tem de se equilibrar e curar-se.

O desmame

Ei, pequeno Astronauta,

Durante muito tempo pensei no quanto seria difícil deixar de te amamentar, nunca soube exatamente se era por causa da tua adoração por minhas tetas, ou por minha própria dependência de te ter aqui plugado, e de te sentir parte de mim dessa maneira tão especial, que sempre foi pra nós dois, a amamentação.

Tenho que admitir que apesar de ter desfrutado muito de ter amamentado por mais de 20 meses, alguns comentários e a típica pergunta “ainda mama?” tiveram uma pequena parcela de influencia na decisão de quando desmamar.

Mas por outro lado, penso que nunca imaginei que duraria tanto, e talvez os comentários e a típica pergunta “ainda mama?” me fizeram ter mais convicção do que realmente era importante pra você e pra mim.

O processo do desmame começou sem eu que me desse conta, foi quando você pensou que “livre demanda” significava mamar toda hora, você já tinha 14 meses, e muitas vezes chorava para mamar, e quando eu te colocava no peito, você ficava meio minuto e já queria fazer outra coisa.
Decidi controlar um pouco as mamadas do dia, sempre quando você pedia eu te oferecia outra coisa, um iogurte, jogar bola, contar uma história, passear… na maioria das vezes você preferia fazer a outra coisa, então foi quando você deixou de associar o “tédio instantâneo” ao mamar, e cada dia que passava mamava menos.

Quando você ficava doente, ou caía e se machucava, ou simplesmente acordava da soneca da tarde um pouco mau humorado e nada te consolava, recorríamos ao nosso momento especial, e milagrosamente tudo ficava bem e é difícil descrever a importância que teve para mim ter te colocado no meu peito, cada vez que você estava cabisbaixo, febril e manhoso, e ver como você reagia melhor e eu também, porque me sentia uma super mãe com o super poder de te fazer feliz e orgulhosa de ter insistido e acreditado na amamentação prolongada.

Em abril, quando você tinha 15 meses, e ainda acordava muitas vezes de noite para mamar, decidi começar o desmame noturno, foi difícil no começo, mas você o assimilou bem, depois trocamos a parte da rotina de dormir que incluía te dar o peito até que você dormisse, por teus livrinhos preferidos e você gostou da idéia.

Então você só mamava uma ou duas vezes por dia, e as vezes nem mamava. Foi quando veio Paris, e eu pensei que seria o fim da nossa história de amamentação. Mas não foi assim, mesmo com um break de 5 dias, meu leite não secou, e sua vontade de mamar não acabou.

Depois a mamãe teve uma infecção na garganta e teve que tomar antibiótico forte e dar um tempo na amamentação, mais uma vez. Dessa vez foi durante 6 dias e no final, a mamãe continuava tendo leite (só de um peito).

Mesmo mamando pouco, você não demonstrava sinais de querer parar, muito pelo contrario, e eu estava tranqüila com o ritmo das mamadas, e não me preocupava o “até quando?”.

Então você completou 20 meses, já fazia um tempinho vinha demonstrando sinais eminente de independência, os “terrible twos” começava a dar sinais de vida, e isso começou afetar o nosso momento especial. Você já não conseguia fazer a soneca da tarde mamando, então pedia mais, e mais, as vezes queria e não sabia o que queria, e uma tarde depois de 4 tentativas frustradas de dormir mamando e sua visível irritação porque parecia que já não saía leite do peito, eu te disse nervosa “basta”, que a mamãe estava cansada e não podia e nem queria estar toda a tarde com você pendurado no meu peito. Por mais que eu tente controlar, as tardes em que você não consegue fazer a soneca, são muito estressantes pra mim e as vezes me esqueço (e não quero esquecer) que são tardes difíceis pra você também.

No dia seguinte você não pediu para mamar, e eu não ofereci o peito e foi passando um dia e outro e quando me dei conta já tinha passado uma semana, durante esses dias você pediu pra mamar uma vez ou duas, mas aceitava sem reclamar qualquer alternativa oferecida pela mamãe.

No meio de tantas coisas acontecendo, mudanças de comportamento, fim das férias, nova rotina, demorei um pouco para assumir que dessa forma tínhamos concluído o processo do desmame.
Me senti estranha quando disse pela primeira vez “o João já não mama”, talvez porque isso significa muito mais do que simplesmente “já não mama”, significa romper um pouco mais o cordão que nos une, significa que você está crescendo, ganhando sua identidade e independência.

É o começo de um novo ciclo, se por um lado não posso evitar de sentir uma pontinha de tristeza e de saudades do bebezinho que passava o dia pendurado no meu peito, por outro lado , tenho um orgulho que não cabe no peito da pessoinha que você está formando… festejo o “novo” e a sorte que eu tenho de ser tua mãe.

Te amo! com amor,

Mamãe

Carrinho X Sling

Hoje vi uma reportagem que comparava um modelo de carrinho de bebê de alta tecnologia com um foulard porta bebês (ou sling). Realmente um contraste poderoso entre a tecnologia e o contato materno. No vídeo, os dois lados da moeda defendem suas vantagens e expõem as desvantagens do outro lado, como si uma coisa não pudesse ser compatível com a outra.
Achei interessante a reportagem, mas não concordo que escolher um implica renunciar o outro. Acho que todas as maneiras de levar o bebê, são compatíveis entre si, e tendo provado umas quantas formas, posso dizer que cada uma é a melhor maneira, dependendo do momento, do lugar e até do estado de espírito do bebê ou da mamãe.
Do segundo ao terceiro mês do João, a melhor maneira de carrega-lo foi o sling, optamos pelo modelo Pouches Hotslings.
Me lembro que a primeira vez que o usei, parecia um objeto milagroso, que me permitia sair com o meu bebê sem me desesperar quando ele acordava chorando e queria mamar, eu não tinha nenhum problema em amamentar em qualquer lugar que fosse preciso, mas em pleno inverno era mais complicado, com o sling e roupa adequada eu conseguia amamentar enquanto passeava e com o balancinho ele acabava dormindo de novo.
Mas, a verdade é que a empolgação não durou muito tempo, o pequeno crescia rapidamente, o modelo escolhido não tinha aros, nem ajustes e muitas vezes era difícil encontrar a posição ideal, não sentia que ele estava confortável, eu não estava tranqüila e mudamos.

Comecei a usar o canguru ou mochila.
A principal vantagem é que vesti-lo é muito mais prático e também por suas características e ajustes te permite mais movimentos com o bebe (na minha opinião: com mais segurança), facilitando a vida da mãe nas tarefas diárias. Foi usado e aprovado também pelo “papa”, que o usou infinitas vezes para fazer o João dormir. (e o continua usando até hoje…).

Seguindo a linha sling, quando o pequeno tinha uns 6 meses me senti mais segura para provar o foulard, os metros de tecido e escolher a tua maneira de “amarrar” o bebê enquanto não se acostuma, pode parecer uma idéia mirambolesca. Mas depois que se pega a pratica é uma delícia, alem de super estiloso. Ocupa menos espaço que o canguru, (vantagem para as viagens) e é o meu preferido quando saio de casa para passear ou quando levar o carrinho não seja viável. Vem com um manual explicando, passo a passo, as diversas formas de levar o bebê e os diferentes tipos de nós.

Mas nem sempre é possível estar todo o tempo com o bebê pendurado, as vezes o carrinho é muito mais pratico e inclusive cômodo para os pais e para o pequeno.
Para passeios mais longos, para ir comprar, comer fora quando ele ainda não fica na cadeirinha, e logo ter um lugar pra ele fazer uma soneca, o carrinho é a melhor opção.
Não foi fácil escolher um modelo com tantas ofertas, mas pesquisando e comparando, optamos pelo Bugaboo Camaleon. Fácil de conduzir, versátil, com um cesto de compras espaçoso, sistema modular 3×1, é um todo terreno que dá pra usar na cidade, praia ou campo e também tem a vantagem de poder adaptar a cadeira do carro (Maxi cossi) na estrutura do carrinho (muito util). Eu adoro!

O ideal é poder tirar proveito do melhor de cada coisa, ou de todas juntas e adaptando ao teu estilo de vida. E você o que acha?

O link da reportagem aqui:

Babá Multimídia

Aqui no velho continente, babá e faxineira são artigos de luxo. Contratar uma pessoa para limpar a casa OU para cuidar do pequeno, e que venha por exemplo 2 x na semana, 4 horas ao dia, pode custar uma media de 350€ ao mês (+ ou – R$ 1.000), $$$$$
E o pior é que a faxina, nem é tão “faxina” assim…

Eu fiz a opção de “deixar de trabalhar” para ter mais tempo para o João durante o 1º ano da vida dele, eu queria curtir minha maternidade e estava feliz por ter o privilégio de poder fazer esta opção.

Mas… não imaginava a quantidade de trabalho que dá “deixar de trabalhar”.

Deixar de trabalhar para ter mais tempo pro filho, significa abrir mão de pequenos luxos (babá e faxineira, por exemplo), aperfeiçoar a habilidade de fazer mil coisas ao mesmo tempo, cuidar de filho, cuidar da casa, fazer compras, fazer comida, inventar brincadeiras novas, estar com o marido, escrever no blog, lavar roupa, ligar pras amigas, registrar os passos do pequeno, passear a cachorra… enfim trabalhar mais que nunca.

Quando não dá pra conciliar brincar com o João com todo o resto, o jeito é apelar para a babá multimídia.
(é bem mais barato… mas só entretém o garoto durante 15 minutos…)

http://www.youtube.com/get_player

Volta ao trabalho

Quando estava grávida tinha 3 empregos.
No nº 1 trabalhava de segunda a sexta, de 9 as 19hs.
No nº 2 eu passava algumas horas 2 x por semana, geralmente quando saía do nº 1, ou algum dia do fim de semana.
No 3º eu trabalhava as vezes no trabalho nº 1 e outras quando dava.
Eu sabia que quando o João nascesse eu teria que diminuir horas de trabalho, mas ainda não sabia como.

Então a “vida” decidiu por mim, a empresa do nº 1 não renovou meu contrato e com 8 meses de grávida eles me disseram: adios y buena suerte!
Foram dias duros, fiquei meio depre, pensei em colocar na justiça, contratar advogado… mas não queria energia negativa pro meu bebe e decidi não fazer nada e relaxar.

Foi difícil… mas quando foi passando o tempo vi que foi o melhor que podia ter acontecido.
E agora… não consigo imaginar como seria voltar a trabalhar e deixar o filhote na creche todo o dia.

Mas… como uma mulher prevenida vale por duas… ficou o emprego nº 2, que a partir de agora será o único.

Esse mês volto a trabalhar, algumas horas 1 x por semana.

E a verdade é que estou muito contente e animada pra “volta ao trabalho”, pela 1ª vez desde que o João nasceu vou sair de casa sozinha, sem empurrar o carrinho, sem ele na mochila e nem no sling.

Livre leve e solta!!!

O João ficará com “la Iaia” (a vovó catalana).
A partir deste mês as terças-feiras serão o dia de “la Iaia”.

E como vocês podem comprovar….

Olha a cara de quem esta preocupado…