Archive for janeiro, 2011

que beleza!


Desde Itacaré com amor!

Parte 3 : Vale do Capão

Depois do Natal em família, seguindo a rota pre-estabelecida, fomos passar uns dias na Chapada Diamantina, mais precisamente no Vale do Capão.

É difícil explicar com palavras o porque, o Capão é um lugar único. Acho que um ponto importante é pela diversidade das pessoas que passam (e ficam) por ali, pela comunidade formada e sua força cultural, pela riqueza da natureza local, a beleza das montanhas, rios e cachoeiras. E claro! Pela energia do lugar, que dizem – para quem acredita –  provém das montanhas cheias de quartzos e cristais que rodeiam o vale… Seja como for… O Vale do Capão tem alguma coisa especial que alimenta a vontade de ficar mais tempo.

O capão é um desses raros lugares no mundo que ainda não pega celular, mas paradoxalmente tínhamos wifi no chalezinho que alugamos… Têm casas que ainda não tem luz elétrica, algumas pessoas lavam a roupa no rio e cozinham em fogão de lenha (por opção).

O vale oferece opções culturais digno de uma cidade grande, com cursos de todo tipo, desde musica, idiomas (inglês, espanhol, alemão entre outros), curso de construção biodinamica (oi?), de circo, pintura, yoga, massagem…. Um lugar sem transito, nem poluição e nem violência, com contato direto com a natureza… e um montão de estimulos do bem. Um ótimo lugar para uma criança crescer.

 

Chegamos no dia 30 de dezembro, para passar 10 dias, pensando que seriam suficientes pra cansar do meio do mato e ter vontade de sair correndo de volta à civilização… Mas a verdade é que ficamos com gosto de quero mais e se o pequeno não tivesse pegado uma virose nos últimos dias, com certeza tínhamos prolongado uns dias mais.

O tempo que ficamos foi suficiente pra fazer de tudo um pouco, (dentro dos limites de viajar com uma criança de 3 anos, és clar). Desde a cansativa (e divertida) trilha que fizemos com uns amigos e durou mais de 5 horas (ida e volta) com o João pulando de ombro, a colo e à costas, até o relaxante banho de cachoeira e de rio. Também teve apresentação de capoeira, jantar na casa de amigos, tomar cerveja na vila e encontrar catalães por lá… yoga, meditação e até teatro… uma interpretação de “el principito” no circo do capão, que o João amou.

 

Isso sem contar das delicias das comidinhas de lá, o luxo de comer sem luxo, mas com produtos da região, naturais, saudáveis e gostosos. A comida caseira da D. Beli, o café da manhã com pão na chapa (integral e caseiro) e queijo, a coxinha de palmito de jaca da praça e a mais famosa e deliciosa pizza do mundo mundial. a pizza do capão.

Eu gosto tanto dessa pizza que ela merece até um paragrafo próprio. O local da pizzaria é super agradável e o cardápio fácil de escolher, só tem um sabor salgado e um doce. O salgado é mais ou menos assim: pizza integral, tomate, queijo, pesto de azeitonas, e cenoura. O toque especial vem das gotinhas de pimenta com mel. É de comer rezando. juro!

E assim, foi passando os dias… entre pizzas e caminhadas… Inventávamos brincadeiras pro filhote andar cada vez um pouquinho mais, brincávamos de achar as cores do arco-íris, de tocar naquela plantinha que fecha as folhas, descobríamos os animais e as flores. Na hora da soneca da tarde, brincávamos de identificar o barulho dos bichos, dos pássaros, do galo, do grilo…

Foi uma viagem cheia de primeiras vezes pra ele que nunca tinha tomado banho de cachoeira, nem de rio, nem visto um vagalume, nem um mico… E apesar de que no finalzinho ele já estava com vontade de voltar pra casa da tia Alê.. tenho certeza que essa viagem vai ficar na memória.

 

Fragmentos de férias: Parte 2 – Família

Depois dos primeiros dias em Salvador, fomos pro interior pra fazer o objetivo numero 1 dessa viagem que era matar a saudade da família.

Aqui no interior onde eles moram, é bem tranquilo, então o tempo das férias reservado para família é também o tempo de descansar, curtir a todos, comer comidinha da mãe/vovó, jogar buraco cada tarde depois do almoço e principalmente me deliciar de ver o filhote se relacionando, conhecendo, convivendo e aprendendo a ser um pouquinho mais brasileirinho.

Quando a gente mora longe da família, e passa tanto tempo sem se ver, estar todo mundo junto tem gosto de final de novela, fica todo mundo felizinho, achando graça de qualquer coisa, parece até que não existem as diferenças porque todo mundo se esforça pra estar bem e aproveitar cada minuto de estar junto.

Desses quase 20 dias em família que passa devagar, mas passou tão rápido… foi tão bom sentir essa emoção deliciosa de escutar o filhote chamar a vovó todo o tempo, o aperto no peito quando o vovô falava que ia sentir saudades do neto e desfrutar de ver o pequeno com a tia Alê, com o tio e os primos… Estar presente no aniversário e renovação dos votos de casamento dos meus pais, estar sentados na varanda e escutar histórias da família…

e agora já de malas prontas, esperando a hora de viajar… o coração fica pequenininho e dá vontade de voltar no tempo e viver tudo novo uma e outra vez…

Blogagem coletiva: pré-natal (na Espanha)

Daí que fui convidada pra participar de um grupo de mães internacionais, a ideia veio da Daniela do blog mamães na Itália, e tem como objetivo reunir as mamães que moram fora do Brasil e trocar experiencias sobre as diferenças culturais do país em que vivemos em relação ao Brasil.

Achei super bacana a ideia, porque sempre tive pendente escrever sobre a diferença de ser mãe longe de “casa” e estou adorando participar. Então, se der certo,  cada mês faremos uma blogagem coletiva sobre os assuntos relativos a maternidade  no país em que vivemos.

Esse primeiro post é sobre o sistema de saúde durante o pré-natal e como estou enrolada esses dias com todas essas obrigações das férias (descansar, dormir bem, comer bem, desfrutar da família, aproveitar o sol…) esse post será baseado somente na minha experiência que não sei até que ponto reflexa o sistema de saúde durante o pré-natal na Espanha. Mas dá pra ter uma ideia e prometo que no próxima capricho mais. ok?

Na Espanha como em outros lugares do mundo, existe um item que define de alguma forma o tipo de atendimento pré-natal que uma mulher gravida pode ter, que é:
ter ou não um plano de saúde.

No meu caso, sem plano de saúde as eleições da minha parte seriam poucas, eu tinha que me adaptar ao sistema sem a opção de escolher médicos, quantidade de ultrassons, hospital/maternidade, tipo de parto…etc, etc e etc.

Minha primeira visita de acompanhamento da gravidez, foi com uma “comadrona” (parteira), ao redor da semana 8, a verdade é que foi meio surreal já que eu ainda não tinha caído a ficha de que realmente estava esperando um bebê. Ela me deu um livrinho de acompanhamento, me pesou, receitou acido fólico, passou uma bateria de exames e marcou a primeira ultrassom e a segunda visita para dentro de 1 mês e meio.

Me lembro de sair da consulta nervosa e angustiada, eu ainda não tinha feito nenhum exame de sangue pra confirmar o positivo desses exames de farmácia, e não me imaginava tendo que esperar mais de 45 dias sem essa “confirmação”.
Foram longos 45 dias, que nem sei bem como aguentei… Cheguei a desconfiar da gravidez, mesmo estando a flor da pele, mesmo com todos os enjoos matinais, mesmo sabendo no fundo no fundo que ele estava aí.  Até chegar o dia da primeira ultra (ao redor da semana 14)… e a partir daí tudo mudou.

Foi maravilhoso sentir-me realmente gravida, ver aquele titico de gente e escutar o seu pequeno e ritmado coração foi a primeira grande emoção que a maternidade me proporcionava.

Explicando de maneira bem resumida, no sistema publico na Espanha, quase todo o acompanhamento da gravidez é feito pela comadrona,  ela é que passa os exames, as ultras te pesa, briga com você se você engordou mais da conta, te da dicas e tira as dúvidas.
Os trimestres são bem marcados, a cada trimestre são feitos os exames de sangue e urina e uma ultrassom, as visitas vão aumentando a medida que avança a gravidez,  no primeiro trimestre eu tive somente uma visita com a comadrona.

( os resultados dos primeiros exames + os dados da ultrassom te dá um percentual de risco de algumas enfermidades ou anomalias que o bebê possa ter. Somente no caso desse percentual ser alto, é que é feito também a prova da amniocentese.)

No 2º trimestre tive a primeira visita com o ginecologista e mais duas com a comadrona, que no total seria mais ou menos uma ao mês, (Tanto a comadrona quanto o ginecologista que te acompanha durante a gravidez, não serão os mesmos que te acompanharão no parto) também é feito todo tipo de exames e a ultrassom morfológica e a descoberta do sexo do bebê.

No final do 2º trimestre, a demora entre uma visita e outra me deixava ansiosa. Gravida de primeira viagem, sempre batia a vontade de querer saber se o bebê está bem todo dia. E foi quando resolvi buscar um curso pré-parto particular, um lugar pra tirar dúvidas, pra falar de sintomas e aprender mais sobre o universo da gravidez e parto.

No 3º trimestre as visitas são mais frequentes, refiz todos os exames e a 3ª e ultima ultrassom, tive uma segunda visita com o ginecologista, e outras mais com a comadrona. Me deram data pra conhecer a maternidade que estava assignada para eu parir. Nessa altura do campeonato eu estava super envolvida com tudo que tinha aprendido sobre parto natural, tinha ideia de fazer um plano de parto, mas no dia da visita ao hospital me informaram que eu não poderia entrar no plano de parto natural hospitalário por ser gravida de risco médio.

(Tive uma gravidez sem nenhum problema, todos os exames ok, o bebê estava perfeito. A única coisa que me colocava como risco médio, era que eu tinha fator rh negativo e o meu marido positivo).

Foi quando decidimos pelo parto domiciliar, mas continuei com o acompanhamento da gravidez normalmente como se fosse parir na maternidade publica.

A partir da semana 36, as visitas eram semanais, uma com o ginecologista e outra com a comadrona, alternados… O João nasceu exatamente na data prevista, em um lindo parto domiciliar… mas isso já é assunto para outro post.

Não deixe de ler a experiência de outras mães em outros países:

Nivea na Irlanda
Cintia na Suécia
Daphne na Italia
Daniela  na Italia
Roberta de Monaco 
Carol em Londres 

Aproveito pra convidar outras mamães que moram fora do Brasil pra se juntar a nós (Alô Liza, Lu, Pati, Maricotinha, Dé…) quem tiver afim me manda um e-mail tá? 

Fragmentos de férias, parte I

Ir de férias ao próprio país é emoção garantida com sabor agridoce.

É a delicia de ir pouco a pouco, matando saudade das coisas que sinto falta, como pequenas doses de felicidade. É a alegria de ver que as coisas boas com o tempero da saudade ficam ainda melhores… Mas tudo junto e misturado com a tristeza e as vezes a decepção de ver que as coisas que não tenho saudade nenhuma ainda estão aí… e que aos olhos de quem mora a tanto tempo fora, parece que incomoda ainda mais.

A viagem foi tranquila, chegar no aeroporto e “furar” aquela fila enoooooorme do carimbo do passaporte pela preferência por levar uma criança é animador. Mas os ânimos diminuíam a medida que esperávamos as malas, e despencou totalmente quando nos demos conta que não tinham chegado e depois de quase um dia inteiro de viagem ainda tínhamos que encarar as burocracias do aeroporto… (E talvez vocês não concordem comigo… mas “rapidez e agilidade” não estão entre as melhores qualidades do povo baiano… ).

Um bom tempo depois, finalmente estávamos atravessando o túnel de bambus e sentindo o calor da noite quente do verão da Bahia.

Acordar cedinho, dar uma volta na praia, voltar pro Hotel e tomar um café da manhã maravilhoso, com direito a frutas, sucos, frios, pão de queijo, bolo de aipim, biscoito de polvilho, cuscuz de tapioca com leite de coco, salgadinhos, biju e outras mil delícias foi a injeção de ânimos necessária para pegar um táxi (ainda com a roupa da viagem) enfrentar um transito infernal para ir ao shopping comprar biquíni e uma roupinha de verão para poder aproveitar o dia.

Não deu pra desfrutar muito dos primeiros dias com a preocupação (e a incomodidade) de não saber se chegaria (e quando) nossa bagagem. Alem do mais ficamos um pouco monotemáticos com o preço das coisas… Achando tudo caríssimo e constatando que esse ano ia ser impossível fazer tudo que tínhamos planejado.

Das coisas gostosas dessa primeira parte da viagem, tem o Porto da Barra e o pôr do sol… ir encontrando alguns amigos… a cerveja geladinha, o picolé Capelinha, o queijo coalho no palito, o abará da Dinha, o sol de manhãzinha pra recarregar energia e ir acostumando o corpo ao calor.

 

Foram 5 dias em Salvador e pra fechar com chave de ouro essa primeira parte das férias, teve encontrinho bloguistico na praia. Com a Paloma, a Roberta, a Eva, a Mariana, e os respectivos filhotes (e alguns papais). Pena que passou voando… mas foi uma delicia encontrar pessoalmente os sobrinhos virtuais que a gente acompanha quase diariamente. Adorei meninas!!!

Ficou faltando a Mari do Viciados em colo, na minha foto… Cadê você Mari? Mas ela estava lá. garanto!

Nesse mesmo dia, pegamos o ônibus pro interior, já era hora de matar a saudade da família… mas isso é assunto pra outro post.

PS.:

A falta de posts dessas ultimas semanas é inversamente proporcional a vontade de escrever e a quantidade de coisas que borbulham na minha cabeça desde que chegamos ao Brasil…

Mas é que a Bahia tem tanto axé e energia que deixa a gente assim…um pouco cansado… com uma preguiça gostosa de ir deixando tudo pra depois.

Então antes tarde do que nunca. Feliz 2011 pessoas queridas que passam por aqui… devagarinho vou voltando a ativa, mas não garanto muitas visitas nos blogs amigos porque né? É verão moçada e estamos preguiçosamente de férias.