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Acabou Chorare

by &.

 

Acabou chorare, ficou tudo lindo
De manhã cedinho, tudo cá cá cá, na fé fé fé
No bu bu li li, no bu bu li lindo..

 

Estou com essa musica na cabeça desde quarta-feira passada, quando entrei no hospital pra fazer a cirurgia… e me lembrei de vocês… de todo o carinho recebido do último do post e toda essa energia maravilhosa que recebi de vários cantos do mundo.

Mesmo sem saber ainda o que passaria na cirurgia e depois… De alguma forma eu já sabia que tudo iria bem.

E assim, foi.

Obrigada de coração por tantos desejos de melhoras.

beijo grande em cada uma.

até mais!

Eu, o tempo, os problemas externos e a mãe que eu quero ser.

by &.

Sempre tive um certo orgulho da mãe que eu me tornei.

Não um orgulho mesquinho, nem presunçoso de achar que sou perfeita ou mais mãe melhor mãe que qualquer outra… Mas, um orgulho que vem do auto reconhecimento e uma auto valorização pelo quanto eu aprendi, do tanto que eu mudei, dos limites que minha paciência chegou alcançar e por todas as manhãs que consegui contar até 10, engolir o meu mau humor matinal e não explodir.

O meu maior aliado nessa transformação foi ter tido o privilégio de dedicar os 2 primeiros anos e meio, quase integralmente ao João de ter tido tempo para esperar que as coisas aconteçam no seu tempo… e de ter desfrutado sem pressa de cada etapa vivida intensamente por ele e por mim.

Não que essa opção tenha sido sempre um mar de rosas. Óbvio que como todas as escolhas tem o seu dark side, tem pessoas preocupando-se por quando você vai voltar à ativa, tem palpites de todo o tipo te alertando da importância de não ser “só mãe”… Tem as próprias angústias e inquietações sobre quando e como direcionar a vida quando for a hora. Tem cansaço, tem dúvidas e incertezas…

Mas sem dúvida esse privilégio de ter tempo para ser mãe, foi fundamental para ter sido a mãe que eu queria ser nos primeiros anos do filhote.

Quando chegou a hora,  comecei a desejar trabalhar desde casa, projetei poder buscar o pequeno na escola e conciliar da melhor maneira possível a maternidade e o trabalho. Também queria que o tempo de trabalho fosse prazeroso, que eu pudesse desfrutar desse outro lado tanto quanto eu desfrutava de ser mãe.  E conseguisse equilibrar tudo isso – pelo menos na maior parte do tempo.

Comecei a estudar programação, um tempo depois o João começou no cole dels grans - a pré-escola – e ficava uma boa parte do dia na escola, mais ou menos na mesma época que surgiram os meus primeiros trabalhos como programadora.

Depois vieram mais cursos e outros trabalhos, e assumi mais horas no bar, e a casa, a roupa, a compra… E outros cursos, e o Minha Mãe que Disse e outros novos projetos… E o tempo foi ficando escasso…

E o tempo passa rápido quando não temos tempo para contemplação!

E me vi com o desejo realizado de trabalhar no que eu gosto, desde casa, podendo buscar o pequeno na escola… Mas sem conseguir o equilíbrio e sabedoria necessária para priorizar… E muitas vezes caindo na armadilha de justificar o pouco tempo dedicado ao pequeno com um “depois que acabar xy e z eu compenso”.  E cada dia mais cansada e estressada…

Acho que foi mais ou menos por aqui que me perdi no meio do caminho…

E no meio do caminho tinha um mioma, e por consequência hemorragias, uma cirurgia sem sucesso, mais hemorragias, exames… E uma ligação do médico avisando que era preciso ir urgente ao hospital fazer uma transfusão de sangue, porque eu estava com anemia severa e números tão baixos, mas tão baixos de hemoglobina, que por pouco, muito pouco não tive graves consequências.

Passei esse dia no hospital, e a noite…

E nessas duas ultimas semanas que tento tomar a vida com calma, não consigo evitar de pensar quantos sinais eu fingi não ver, do meu corpo avisando que alguma coisa realmente não ia bem…

Quando a vida te da uma chacoalhada dessas é inevitável não voltar ao começo da história e tentar encontrar o lugar exato em que as escolhas foram equivocadas e me fizeram desviar do caminho.

E me vi, eu e minha síndrome de mulher maravilha, assumindo mais coisas do que podia assumir, tentando dar conta de tudo, tentando manter a casa arrumada e alguma roupa limpa na guarda roupa, tentando provar pra mim mesma que posso fazer sozinha… tentando aguentar 5 horas em pé, pra cima e pra baixo, tentando não desmaiar na rua…

Me vi angustiada em não conseguir acabar as coisas no tempo e ver tudo se acumular, me vi sem forças nem animo e sem iniciativa de questionar os médicos e de realmente me colocar como prioridade.

Me vi dedicando tempo e energia a coisas sem importâncias, enquanto dizia ao pequeno constantemente que a mamãe não tem tempo agora, que não posso porque estou cansada, que não posso porque me dói a cabeça… que não posso… que não posso…

Talvez tenha sido, justo aí…

A sorte é que às vezes re-descobrimos a tempo e sem grandes consequências o que realmente importa.

Aprendi que é mais complicado ser a pessoa-mãe que eu quero ser, quando a falta de tempo faz com que rever  prioridades, tenha que ser um exercício diário e constante…

Mas é possível.

Ontem teve reunião com a professora da escola… Hoje tive controle analítico para a próxima cirurgia…

(e ufa!)

Passei nos dois!

A evolução do “eu te amo”

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Desde sempre pergunto ao pequeno “se ele me ama e quanto?”.

Sei que isso não é lá pergunta que se faça, mas pergunto mesmo assim.

Antes, quando era pequenininho e quando estava feliz ele respondia 8. E 8 era o máximo que alguém podia alcançar.

Depois veio a fase gostosa do “infinito y mas allá”… Ah… bons tempos aquele que a resposta era essa, independente do humor da criança.

Essa fase passou, mas vieram outras respostas, sempre engraçadinhas e que me fazia sentir amada, querida e feliz… Até o dia que sem titubear ele responde:

Sim mamãe, eu te amo, muito muito! Agora me deixa brincar com o iPad?

Lado A – Um bom motivo para ter um blog

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Ter com quem compartilhar o orgulho que não cabe no peito de ter um filho ciclista – e como ele mesmo diz “rápido como um raio”.

ps.: esse é outro post da série:  Mini posts mequetrefe para quebrar o gelo…

Esperando que sem a responsabilidade de escrever O post, depois de tanto tempo sem postar, as palavras voltem a fluir. #oremos

Até mais pessoas queridas! E bom Carnaval!!

 

4

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Filho,

Hoje você faz 4 anos… e como sempre acontece, no dia do seu aniversário, fico lembrando de detalhes da tua história e fico boba, emocionada,  chorona e ainda mais coruja… . Então me dou conta do quanto tenho que te agradecer por você  fazer parte das nossas vidas.

Obrigada! Pela tua risada que tantas vezes me traz de volta a “realidade”,  por todas as vezes que você pediu minha mão e meu colo, por todos os beijos, abraços, “mamãe guapa” e por um dia me chamar as 4 da manhã pedindo pra eu te fazer cafuné.

Obrigada! Por calçar meus sapatos e andar pela casa, por gostar de brincar de “compras”, por incorporar diversos papéis e dizer coisas do tipo “sim, eu tenho cinco filhos todos do meu tamanho” … Por me fazer ser mais paciente, mais responsável, mais adulta e ao mesmo tempo ter aprendido com você a ver o mundo com olhos de criança.

Obrigada! Por confiar em mim, por ser meu ajudante na cozinha, por fazer desenhos lindos e me dar de presente e por ter pintado a porta do banheiro com canetas laváveis, por escutar com atenção as histórias que eu te conto e por compartilhar comigo todas as coisas que são importantes pra você.

Obrigada! Pela tua vontade de viver, de aprender e de querer ser grande, pelas palavras inventadas, por sua lógica divertida, por enviar mensagens vazias a todos meus contatos do celular… por toda tua energia, que as vezes me agota… mas que basta um sorriso teu pra voltar a entender que tudo vale a pena…

Obrigada por me ensinar tanto… e obrigada, principalmente, pelo amor!

feliz aniversário, meu petit astronauta…

 

com 4 anos

 

nas aulinhas de inglês…

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Quando você tinha três anos, um domingo de manhã, você me acordou dizendo: Good Morning mamãe, e eu quase morri de ternura…

Mas para eu explicar essa história direito, tenho que fazer uma confissão:

Diferente da maioria dos pais que eu conheço, seu pai e eu não escolhemos teu colégio pela proposta pedagógica, planos de estudos, nem fizemos muitas pesquisas comparando as escolas do bairro pra escolher a tua. Escolhemos por 3 razões:

1) Por estar bem perto de casa. (7 minutos andando a passo de criança) e perto da praia.

2) Por ter um pátio grande, de terra, com brinquedos de madeira e muitas árvores.

3) Por feeling. Quando ainda não morávamos nesse bairro, me lembro de passar barriguda ao lado da escola, ver aquela criançada brincando no pátio e comentarmos que adoraríamos que você pudesse estudar alí.

Não é que me orgulhe disso… Só acreditávamos que o mais importante para um garotinho de 2 anos (idade que você tinha quando começou a pré-escola) era o espaço de brincar e diferente de outras escolhas que fizemos para você, essa foi uma decisão quase impulsiva, uma escolha quase sem conhecimento de causa, confiando apenas em uma vozinha aqui dentro que dizia que aquela era uma escola legal.

Por “sorte” o universo conspirava ao nosso favor. E pouco a pouco vamos percebendo que foi uma “escolha” acertada…

Uma mãe que visitou 12 escolas antes de optar por essa, me garantiu que era a escola do distrito que tinha uma adaptação mais gradual, da criança com “el cole dels grans” (o colégio dos “grandes”) e com uma maior integração dos pais com a escola, também descobrimos – depois! – que entrar nessa escola era quase como ganhar na loteria… já que era uma das escolas públicas mais concorridas, com vagas limitadas, das quais preferentemente entram as crianças com algum tipo de deficiência, as que já tem algum irmão no centro e as que comprovam ter uma renda familiar baixa, e todos os outros “concorrentes” participam de um sorteio, no qual você foi escolhido.

Sendo você filho de mãe imigrante, um ponto importante pra mim (que também só valorizei depois) é que na tua escola haviam alunos de diversas nacionalidades, culturas e classes sociais. E cada vez mais acredito no importante que é para tua formação a convivência diária com crianças tão iguais e tão diferentes entre si.

Mas voltando a nossa história, um domingo de manhã, você me acordou dizendo: Good Morning mamãe.. foi o start para perceber que já tinha começado suas aulinhas de inglês na escola… Mas foi só uns dias depois, na reunião do colégio, que descobrimos outra coisa que a maioria dos pais sabiam, tua escola é trilingüe, você não tem apenas aulinhas de inglês e sim a partir de primaria (dentro de 1 ano e meio – o ano letivo começa em Setembro por aqui) você vai  ter aulas nas três línguas (espanhol, catalão e inglês) e usá-las rotineiramente.  Essa era uma das principais razões pela qual essa escola era tão concorrida… e nós que pensávamos que era porque tinha um monte de pais meio hippies como a gente que achava importante que o pátio da escola fosse grande, de terra com muitas árvores e brinquedos de madeira.

E desde então você anda todo metido, falando em vários idiomas e demonstrando claramente a vontade que você tem de aprender coisas novas. Não posso negar que em alguns momentos de “fraqueza” duvido que toda essa bagunça de idiomas é realmente positiva pra você… Mas na maioria das vezes confio em uma vozinha aqui dentro que diz, que mesmo demorando um pouco mais o processo de aquisição da linguagem você um dia vai falar todos esses idiomas sem essa “bareja” – mistura – que você faz atualmente… e vou, ainda mais, morrer de orgulho de você, meu petit astronauta.

Vídeo: João o poliglota.

dos quereres…

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Quando você tinha 3 anos, como toda criança dessa idade, você queria muitas coisas… algumas momentaneamente e outras quase obsessivamente.

Das coisas que você queria, você quase sempre pedia assim:

- Mamãe, um dia comprarem

Depois de explicar que o dinheiro não nasce na arvore e essas coisas malucas que falam os adultos, você finalmente mudou o pedido para:

- Mamãe, um dia, quando você tiver mais dinheiro, comprarem…

Esse ano, entre os pedidos mais repetitivos e curiosos, você pediu (insistentemente) uma tuba, não sabemos exatamente porque, um dia você chegou com essa ideia fixa e não há quem te convença que exista um instrumento musical mais legal.

Também passou alguns meses falando que queria uma fazer uma festa de halloween, esse querer durou alguns meses, e sempre vinha seguido da listinha de pessoas que viriam à sua festa, desde os coleguinhas da escola, aos primos e também todos aqueles amigos daquele vídeo que fala: one, two … four.

Mas, sobre todas as coisas quando você tinha 3 anos, o que você mais queria era:

Ser grande!

E você expressava isso frequentemente, de diversas maneiras e intensidade…

Como naquele dia, quando voltávamos da escola, falando sobre a festinha de aniversário de dois dos seus coleguinhas,  você me deixou andando sozinha e ficou parado atrás com a cabeça baixa apoiada no guidão da sua bicicleta sem pedais, chorando…

Quando cheguei perto pude notar as lagrimas grossas e entre lagrimas e soluços, você me explicava que já não queria “nunca mais” ser o “petit” que todos os seus amigos da escola já tinham 4 anos… Que você queria ser grande como o papai porque você queria, (pausa para soluços) você queria muito…  ter uma bicicleta de pedais.

Enquanto te abraçava, te consolava e tentava lembrar quando foi exatamente que você cresceu ao ponto de expressar assim seus sentimentos, contrário a esse desejo de todas as mães de querer solucionar os desejos dos filhos, eu desejei secretamente que o tempo não passasse tão rápido.

 

andando com bicicleta "de pedais" pela 1ª vez - Nov/11

quando você tinha 3 anos…

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Quando voce tinha 3 anos, bem pertinho de fazer 4, você aprendeu o significado da palavra segredo.

“Segredo, mamãe, é aquela canção que eu não posso cantar pra ninguém, ninguém, ninguém até o dia da festa de Natal em dezembro…”

E você realmente quis guardar o segredo, e não cantou nem um pedacinho da canção secreta, mesmo quando a mamãe insistiu um pouquinho…

- Não pode… É um segredo!

Mas logo depois imerso no teu mundo de brincar, enquanto pintava com suas canetinhas novas, você cantarolava feliz uma e outra vez a tal musica secreta.