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Beijo de mãe

O João caiu da bicicleta e deu uma ralada no joelho, na hora fez cara de choro e exigiu logo:

– Cura mamãe, cura.

E a mamãe foi curar…  Dei 3 beijos no joelho machucado, e no segundo depois, ele já estava correndo e brincando, como se nada tivesse acontecido.

No mesmo dia, depois do banho ele percebeu que o machucado ainda estava ali, pediu outra vez para que eu o curasse, fui lá e dei um beijo caprichado. Ele achou que ainda doía um pouco e pediu outro. Dei outro beijo com uma grande concentração de amor e energia curativa… Ele examinou atentamente o machucado e disse:

– Mamãe, esses beijos já não curam meu machucado, você pode colocar um band-aid?

🙁



 Será que band-aid cura auto-estima ferida? Vou alí pegar dois e já volto… 

Para quem buscou no Google

Esse mini post é dedicado a pessoa que buscou no Google:

“nome da musica do video de 3 anos do astronauta”

As músicas são da trilha sonora do filme “Onde vivem os monstros” (Where the Wild Things Are)

1. Igloo – Karen O And The Kids
2. All Is Love – Karen O And The Kids

Já tinha recebido alguns e-mails perguntando o nome das músicas (lo siento muchisimo se algum e-mail ficou sem resposta).
Já coloquei os créditos da trilha sonora lá no post original.

E falando em google, tô de mal com ele pela quantidade de buscas com erros ortográficos absurdos que ele tem mandado aqui pro blog.

Será que isso é uma indireta para mim, que ando esquecendo de passar o corretor de ortografia??

causos…

Na volta das ferias, durante vários dias seguidos,  o João fez xixi na cama de noite.

Cansada de cada dia de manhã, colocar pra lavar, lençóis, edredões… etc…
pensamos seriamente em retroceder e colocar uma fralda nele pra dormir.

Tentando entender o porque do retrocesso, pergunto pro pequeno porque ele estava fazendo tanto xixi na cama.

Ele rapidamente responde:

-É porque eu sonho com as cachoeiras, mamãe.

Tá explicado, ou não tá??

***

ps1: Poucos dias depois, para a alegria geral da nação e sem nenhuma explicação aparente, a normalidade voltou a reinar na cama do filhote.

ps.2: post originalmente pensado na volta das ferias.

bom dia porque?

Se entre tantas boas qualidades para serem herdadas da mãe, ele foi herdar justo a do não-bom-humor matinal

Blogagem coletiva: O Parto (na Espanha)

Havia um tempo em que eu discutia fervorosamente sobre partos e sobre o direito da mulher de ter o parto QUE DESEJA (!), e escutava frequentemente que minha opinião “não contava” já que tinha parido fora do Brasil…
E fora do Brasil, claro! A realidade é outra.

Não cabia nessas discussões explicar que Espanha não é Finlândia, e que a realidade na Espanha, infelizmente, esta longe do ideal*, talvez uma das grandes diferenças entre Brasil e Espanha, (dois países com altos índices de cesáreas e intervenções desnecessárias) seja que no Brasil quase todo mundo têm plano de saúde e na Espanha a grande maioria ainda recorre ao sistema público. (e tanto na Espanha quanto no Brasil o índice de cesárea e intervenções desnecessárias é muito mais elevado no sistema privado.)

*O parto ideal para mim, é quando a mulher têm o parto que deseja (seja ele qual for), mas que esse desejo seja fundado através de muita informação e sua situação pessoal (fisica e mental) e não pelo medo nem pelos tantos preconceitos que existem em relação ao parto.

Buscando estatísticas de tipos de parto na Espanha, pude perceber que não existe um dado exato, já que oscila muito dependendo da comunidade autônoma, do ano da estatística e do interesse da pesquisa. Mas a media se resume, mais ou menos assim:

Índice de cesárea:

Sistema publico – 22,41% (no Brasil a média é de 26%)
Sistema privado – 58,91% (no Brasil, 80%… )
Recomendação OMS – De 10 a 15%

Indução do parto – nos partos normais – (ocitocina e similares)

Sistema publico – 26,37%
Sistema privado – 48,35%
Recomendação OMS – 10%

Parto instrumental (fórceps)

Sistema publico – 12,40%
Sistema privado – 32,68%

Epsiotomia

Não encontrei dados separados do sistema publico x privado, mas na Espanha o índice de epsiotomia é elevadíssimo, de 82,9% muito parecido com os numeros do Brasil.

A OMS declara que não está justificado o uso sistemático da epsiotomia e que se deve proteger o períneo sempre que possível.

Com esses poucos dados dá pra perceber que a Espanha, (embora haja um movimento forte em pró dos partos humanizados) ainda está longe de oferecer um parto tal como é recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

E apesar dos melhores índices de parto vaginal e sem intervenções no sistema publico, poucas maternidades oferecem um espaço confortável para a dilatação (menos ainda para o parto), anulando quase sempre o direito da mulher de DECIDIR livremente a posição durante o expulsivo.
E mesmo os poucos centros (públicos) que contam com quarto adequado para dilatação, e que em teoria favorece o parto natural hospitalário, quase sempre limitam os acompanhantes (o que te obriga a escolher entre o marido e a doula – caso você decida ter uma -), entre outras inconveniencias.

O grande problema na Espanha (na minha opinião) é que a forma de parir no sistema publico, é uma caixinha de surpresas, não depende somente da vontade da mulher por ter o parto que deseja (seja ele qual for) depende também dos profissionais de plantão na hora do parto.

Se a mulher quer um parto normal com anestesia (e suas possíveis consequências), talvez não precise brigar muito por isso, já que é o parto padrão. Mas se a mulher escolhe ter um parto normal, com o mínimo de intervenções possíveis, ela tem que ter a sorte de que na hora do parto tenha profissionais simpatizantes com a causa, ou se não, lutar muito por isso… O que é uma baita injustiça porque tira o DIREITO dela de se desconectar totalmente do mundo e conectar-se consigo mesma no momento do parto (e acredito que essa conexão é um elemento fundamental para o sucesso do parto).

A estatística para partos domiciliares na Espanha é de aproximadamente 1,5% dos casos…

saber dessa estatística só me faz sentir imensamente privilegiada por fazer parte dessa minoria.

meu relato de parto

Saiba como funciona o parto em outros países, acessando o site: mães internacionais

Ele voltou!!

Porque para quem não sabe, aqui no blog é assim:
Cada vez que o contador marca números múltiplos de 10 mil o leitor vira escritor e é a sua vez de contar uma historinha.
Então caro amigo, se o contador (abaixo no rodapé) marca 110mil


PARABÉNS!! 
Você é uma pessoa de sorte! 
E o próximo post é por tua conta.


Manual de instruções:


– Se você é o visitante 110.000 e quer participar da brincadeira é muito fácil, o PRIMEIRO PASSO é deixar um recadinho, avisando que você topa participar da brincadeira e que o próximo post, será por tua conta.


– O seguinte passo é fazer o post, (free style), conta pra gente um pouco de você, copie uma musica, divulgue seu blog, resgate teu post preferido, conte uma piada, deixe uma sugestão, uma receita, uma poesia, qualquer coisa…


Só não vale deixar passar em branco um numero tão redondinho, né?
– Quando tiver pronto, enviar o post ao e-mail do astronauta, que eu publico na sequencia


joaoastronauta@gmail.com


– Para saber mais sobre os visitantes especiais do Astronauta, aqui nos VIPs.


***Importante: as vezes a privilegiada que bate em ponto no contador, vê o numero tão redondinho, fica com vergonha e saí de fininho sem se identificar.
Então, a “promoção” fica valendo pro 100.001 ou 2 ou 3… ou até chegar no corajoso que não fuja da raia.



JÁ TEMOS UM NOVO VIP NO BLOG. 
ÊÊÊÊ … QUEM SERÁ? 
BEIJOS

Comédia da vida moderna

O João foi um recém nascido lindo (palavra de mãe!) e fotogênico desde o primeiro dia. Alem do mais, temos a sorte de que o super papa, entre outras qualidades, é um excelente fotógrafo e registrou momentos únicos que a gente guarda com muito carinho.

O João foi crescendo e a quantidade de fotos tambem.

Eu acreditava que nessa era digital, o céu era o limite, para os megabits em fotos e vídeos e textos que de alguma forma eternizam aqueles primeiros meses de ser pais que não queremos esquecer…

Ate que o computador reclama que necessita espaço. Chegou a hora de fazer uma limpeza… abro as pastinhas das recordações com o propósito de fazer uma seleção e diminuir quantidades…
Mas é uma missão impossível apagar alguma e tenho que transferir as fotos para uma memória externa e as recordações ficam ali guardadinhas pra de vez em quando resgata-la e me deliciar com as lembranças.

Essa vida moderna de espaços virtuais (onde se alojam os blogs por exemplo) e de hds e pen drives de espaços quase ilimitados, te dá uma ligeira sensação de que tudo está bem guardado e que com um simples clic você tem acesso a tudo…. doce ilusão…

Outro dia, ao conectar a memória externa ao computador que (outra vez) reclamava e avisava que fazia 137 dias que não era feito um backup, aparece um  fatal error,  não consigo a conexão… tento no outro computador e ao abrir… a memória está vazia.  🙁

Como um filminho triste, vai passando as melhores fotos pela cabeça, e os videos, e os textos… Consulto o tio Google, para (claro!) deprimir-me ainda mais… Não tem solução, não tem solução!!

Nessa hora penso, que ufa! pelo menos tenho o blog.

Digito www.joaoastronauta.com e me sinto aliviada enquanto vejo carregar a pagina.

Enxugo as lágrimas e vou correndo fazer um backup.

Fim.

***

ps.: A unica razão que este post se entitula comédia e não tragédia da vida moderna,  é que o super papa, entre outras qualidades, é um excelente técnico informático, e conseguiu restaurar a tal memória externa, (depois de perguntar muitas vezes, o que eu tinha feito exatamente… afe! ) e (Viva!) salvou todo o conteúdo. Mas o susto valeu para ter mais cuidado…

E você já fez teu backup hoje?

O protagonista

No colégio do João tem uma atividade muito bacana, que ajuda na integração das crianças, educadores e pais, que é a semana do protagonista.

Consiste, resumidamente, em que durante uma semana inteira uma criança da classe é o centro das atenções do grupo. Mas… ser o protagonista da semana não é só destaque e folia, também implica em “obrigações” e  responsabilidades, o protagonista é o responsável por exemplo, de “controlar” o tempo e atualizar no mural as mudanças do clima… entre otras cositas más… O ponto alto dessa atividade é o dia da semana que os pais do aluno participam da aula, propõem uma atividade com as crianças e estão presentes vendo um pouco do dia a dia dos pequenos no colégio.

É quase como o sonho de todas mães (suponho!) aquele de ser uma mosquinha e ver como ele é quando não estamos perto, a diferença é que nesse caso, não passamos tão desapercebidos e é praticamente impossível para o protagonista ficar natural e espontâneo, (também pudera… está acontecendo um evento importantíssimo na vidinha dele que é ver seus pais naquele espaço que até agora tinha sido só dele), então aproveitei para observar e conhecer um pouco mais os coleguinhas da classe, e me dar conta de como é rica a convivência entre eles, tão iguais e tão diferentes.

A semana escolhida pro João, foi a semana do Carnaval e durante o fim de semana anterior, o super papa escreveu num papel a história do João,  escolhemos umas fotos para preparar um mural e ilustrar a história que foi contada pela professora e pelo João no primeiro dia da semana. Durante toda a semana, falaram do pequeno na classe, discutiram seus gostos, hobbies, a origem da familia e até as coisas que ele não gosta tanto.

E já no finzinho da semana, foi o nosso dia de nos juntar a “festa”, aproveitamos o gancho do carnaval e levamos umas mascaras para pintar e colar papéis coloridos. Passei 2 dias cortando em casa as tais mascaras em forma de “papallona” – borboleta – que é o símbolo da classe do pequeno, um trabalhão! mas valeu a pena, pela oportunidade de estar alí e por ver a carinha de felicidade do João por ser o protagonista e por ver seus pais sentados com os amiguinhos dele, contando histórias.

Acredito que além de toda a brincadeira, essa atividade pode ser também um aprendizado importante,  para os pequenos, que são tão naturalmente egocêntricos nessa idade.  Porque cada um é o personagem principal durante uma semana, na medida do possível tudo se centra nele (do jeitinho que eles gostam!)… Mas nas outras semanas do ano outra criança tem o protagonismo, e aí quando eles aprendem… a escutar, a ceder a vez, a ser o 2º a falar (ou o ultimo).

E  no caso do João que é o protagonista absoluto em casa, todas essas outras semanas de não protagonismo na escola é um bom exercício de escutar, dividir e compartilhar.

mini post

Depois de olhar atentamente suas fotos fantasiado para o Carnaval da escola, o João intrigado pergunta:

– Mamãe.. o que está fazendo esse Mickey Mouse, na “meva” (minha) casa?

… isso que eu chamo de entrar no personagem.

 🙂

***

Volto logo!

que beleza!


Desde Itacaré com amor!

Parte 3 : Vale do Capão

Depois do Natal em família, seguindo a rota pre-estabelecida, fomos passar uns dias na Chapada Diamantina, mais precisamente no Vale do Capão.

É difícil explicar com palavras o porque, o Capão é um lugar único. Acho que um ponto importante é pela diversidade das pessoas que passam (e ficam) por ali, pela comunidade formada e sua força cultural, pela riqueza da natureza local, a beleza das montanhas, rios e cachoeiras. E claro! Pela energia do lugar, que dizem – para quem acredita –  provém das montanhas cheias de quartzos e cristais que rodeiam o vale… Seja como for… O Vale do Capão tem alguma coisa especial que alimenta a vontade de ficar mais tempo.

O capão é um desses raros lugares no mundo que ainda não pega celular, mas paradoxalmente tínhamos wifi no chalezinho que alugamos… Têm casas que ainda não tem luz elétrica, algumas pessoas lavam a roupa no rio e cozinham em fogão de lenha (por opção).

O vale oferece opções culturais digno de uma cidade grande, com cursos de todo tipo, desde musica, idiomas (inglês, espanhol, alemão entre outros), curso de construção biodinamica (oi?), de circo, pintura, yoga, massagem…. Um lugar sem transito, nem poluição e nem violência, com contato direto com a natureza… e um montão de estimulos do bem. Um ótimo lugar para uma criança crescer.

 

Chegamos no dia 30 de dezembro, para passar 10 dias, pensando que seriam suficientes pra cansar do meio do mato e ter vontade de sair correndo de volta à civilização… Mas a verdade é que ficamos com gosto de quero mais e se o pequeno não tivesse pegado uma virose nos últimos dias, com certeza tínhamos prolongado uns dias mais.

O tempo que ficamos foi suficiente pra fazer de tudo um pouco, (dentro dos limites de viajar com uma criança de 3 anos, és clar). Desde a cansativa (e divertida) trilha que fizemos com uns amigos e durou mais de 5 horas (ida e volta) com o João pulando de ombro, a colo e à costas, até o relaxante banho de cachoeira e de rio. Também teve apresentação de capoeira, jantar na casa de amigos, tomar cerveja na vila e encontrar catalães por lá… yoga, meditação e até teatro… uma interpretação de “el principito” no circo do capão, que o João amou.

 

Isso sem contar das delicias das comidinhas de lá, o luxo de comer sem luxo, mas com produtos da região, naturais, saudáveis e gostosos. A comida caseira da D. Beli, o café da manhã com pão na chapa (integral e caseiro) e queijo, a coxinha de palmito de jaca da praça e a mais famosa e deliciosa pizza do mundo mundial. a pizza do capão.

Eu gosto tanto dessa pizza que ela merece até um paragrafo próprio. O local da pizzaria é super agradável e o cardápio fácil de escolher, só tem um sabor salgado e um doce. O salgado é mais ou menos assim: pizza integral, tomate, queijo, pesto de azeitonas, e cenoura. O toque especial vem das gotinhas de pimenta com mel. É de comer rezando. juro!

E assim, foi passando os dias… entre pizzas e caminhadas… Inventávamos brincadeiras pro filhote andar cada vez um pouquinho mais, brincávamos de achar as cores do arco-íris, de tocar naquela plantinha que fecha as folhas, descobríamos os animais e as flores. Na hora da soneca da tarde, brincávamos de identificar o barulho dos bichos, dos pássaros, do galo, do grilo…

Foi uma viagem cheia de primeiras vezes pra ele que nunca tinha tomado banho de cachoeira, nem de rio, nem visto um vagalume, nem um mico… E apesar de que no finalzinho ele já estava com vontade de voltar pra casa da tia Alê.. tenho certeza que essa viagem vai ficar na memória.

 

Fragmentos de férias: Parte 2 – Família

Depois dos primeiros dias em Salvador, fomos pro interior pra fazer o objetivo numero 1 dessa viagem que era matar a saudade da família.

Aqui no interior onde eles moram, é bem tranquilo, então o tempo das férias reservado para família é também o tempo de descansar, curtir a todos, comer comidinha da mãe/vovó, jogar buraco cada tarde depois do almoço e principalmente me deliciar de ver o filhote se relacionando, conhecendo, convivendo e aprendendo a ser um pouquinho mais brasileirinho.

Quando a gente mora longe da família, e passa tanto tempo sem se ver, estar todo mundo junto tem gosto de final de novela, fica todo mundo felizinho, achando graça de qualquer coisa, parece até que não existem as diferenças porque todo mundo se esforça pra estar bem e aproveitar cada minuto de estar junto.

Desses quase 20 dias em família que passa devagar, mas passou tão rápido… foi tão bom sentir essa emoção deliciosa de escutar o filhote chamar a vovó todo o tempo, o aperto no peito quando o vovô falava que ia sentir saudades do neto e desfrutar de ver o pequeno com a tia Alê, com o tio e os primos… Estar presente no aniversário e renovação dos votos de casamento dos meus pais, estar sentados na varanda e escutar histórias da família…

e agora já de malas prontas, esperando a hora de viajar… o coração fica pequenininho e dá vontade de voltar no tempo e viver tudo novo uma e outra vez…

Blogagem coletiva: pré-natal (na Espanha)

Daí que fui convidada pra participar de um grupo de mães internacionais, a ideia veio da Daniela do blog mamães na Itália, e tem como objetivo reunir as mamães que moram fora do Brasil e trocar experiencias sobre as diferenças culturais do país em que vivemos em relação ao Brasil.

Achei super bacana a ideia, porque sempre tive pendente escrever sobre a diferença de ser mãe longe de “casa” e estou adorando participar. Então, se der certo,  cada mês faremos uma blogagem coletiva sobre os assuntos relativos a maternidade  no país em que vivemos.

Esse primeiro post é sobre o sistema de saúde durante o pré-natal e como estou enrolada esses dias com todas essas obrigações das férias (descansar, dormir bem, comer bem, desfrutar da família, aproveitar o sol…) esse post será baseado somente na minha experiência que não sei até que ponto reflexa o sistema de saúde durante o pré-natal na Espanha. Mas dá pra ter uma ideia e prometo que no próxima capricho mais. ok?

Na Espanha como em outros lugares do mundo, existe um item que define de alguma forma o tipo de atendimento pré-natal que uma mulher gravida pode ter, que é:
ter ou não um plano de saúde.

No meu caso, sem plano de saúde as eleições da minha parte seriam poucas, eu tinha que me adaptar ao sistema sem a opção de escolher médicos, quantidade de ultrassons, hospital/maternidade, tipo de parto…etc, etc e etc.

Minha primeira visita de acompanhamento da gravidez, foi com uma “comadrona” (parteira), ao redor da semana 8, a verdade é que foi meio surreal já que eu ainda não tinha caído a ficha de que realmente estava esperando um bebê. Ela me deu um livrinho de acompanhamento, me pesou, receitou acido fólico, passou uma bateria de exames e marcou a primeira ultrassom e a segunda visita para dentro de 1 mês e meio.

Me lembro de sair da consulta nervosa e angustiada, eu ainda não tinha feito nenhum exame de sangue pra confirmar o positivo desses exames de farmácia, e não me imaginava tendo que esperar mais de 45 dias sem essa “confirmação”.
Foram longos 45 dias, que nem sei bem como aguentei… Cheguei a desconfiar da gravidez, mesmo estando a flor da pele, mesmo com todos os enjoos matinais, mesmo sabendo no fundo no fundo que ele estava aí.  Até chegar o dia da primeira ultra (ao redor da semana 14)… e a partir daí tudo mudou.

Foi maravilhoso sentir-me realmente gravida, ver aquele titico de gente e escutar o seu pequeno e ritmado coração foi a primeira grande emoção que a maternidade me proporcionava.

Explicando de maneira bem resumida, no sistema publico na Espanha, quase todo o acompanhamento da gravidez é feito pela comadrona,  ela é que passa os exames, as ultras te pesa, briga com você se você engordou mais da conta, te da dicas e tira as dúvidas.
Os trimestres são bem marcados, a cada trimestre são feitos os exames de sangue e urina e uma ultrassom, as visitas vão aumentando a medida que avança a gravidez,  no primeiro trimestre eu tive somente uma visita com a comadrona.

( os resultados dos primeiros exames + os dados da ultrassom te dá um percentual de risco de algumas enfermidades ou anomalias que o bebê possa ter. Somente no caso desse percentual ser alto, é que é feito também a prova da amniocentese.)

No 2º trimestre tive a primeira visita com o ginecologista e mais duas com a comadrona, que no total seria mais ou menos uma ao mês, (Tanto a comadrona quanto o ginecologista que te acompanha durante a gravidez, não serão os mesmos que te acompanharão no parto) também é feito todo tipo de exames e a ultrassom morfológica e a descoberta do sexo do bebê.

No final do 2º trimestre, a demora entre uma visita e outra me deixava ansiosa. Gravida de primeira viagem, sempre batia a vontade de querer saber se o bebê está bem todo dia. E foi quando resolvi buscar um curso pré-parto particular, um lugar pra tirar dúvidas, pra falar de sintomas e aprender mais sobre o universo da gravidez e parto.

No 3º trimestre as visitas são mais frequentes, refiz todos os exames e a 3ª e ultima ultrassom, tive uma segunda visita com o ginecologista, e outras mais com a comadrona. Me deram data pra conhecer a maternidade que estava assignada para eu parir. Nessa altura do campeonato eu estava super envolvida com tudo que tinha aprendido sobre parto natural, tinha ideia de fazer um plano de parto, mas no dia da visita ao hospital me informaram que eu não poderia entrar no plano de parto natural hospitalário por ser gravida de risco médio.

(Tive uma gravidez sem nenhum problema, todos os exames ok, o bebê estava perfeito. A única coisa que me colocava como risco médio, era que eu tinha fator rh negativo e o meu marido positivo).

Foi quando decidimos pelo parto domiciliar, mas continuei com o acompanhamento da gravidez normalmente como se fosse parir na maternidade publica.

A partir da semana 36, as visitas eram semanais, uma com o ginecologista e outra com a comadrona, alternados… O João nasceu exatamente na data prevista, em um lindo parto domiciliar… mas isso já é assunto para outro post.

Não deixe de ler a experiência de outras mães em outros países:

Nivea na Irlanda
Cintia na Suécia
Daphne na Italia
Daniela  na Italia
Roberta de Monaco 
Carol em Londres 

Aproveito pra convidar outras mamães que moram fora do Brasil pra se juntar a nós (Alô Liza, Lu, Pati, Maricotinha, Dé…) quem tiver afim me manda um e-mail tá? 

Fragmentos de férias, parte I

Ir de férias ao próprio país é emoção garantida com sabor agridoce.

É a delicia de ir pouco a pouco, matando saudade das coisas que sinto falta, como pequenas doses de felicidade. É a alegria de ver que as coisas boas com o tempero da saudade ficam ainda melhores… Mas tudo junto e misturado com a tristeza e as vezes a decepção de ver que as coisas que não tenho saudade nenhuma ainda estão aí… e que aos olhos de quem mora a tanto tempo fora, parece que incomoda ainda mais.

A viagem foi tranquila, chegar no aeroporto e “furar” aquela fila enoooooorme do carimbo do passaporte pela preferência por levar uma criança é animador. Mas os ânimos diminuíam a medida que esperávamos as malas, e despencou totalmente quando nos demos conta que não tinham chegado e depois de quase um dia inteiro de viagem ainda tínhamos que encarar as burocracias do aeroporto… (E talvez vocês não concordem comigo… mas “rapidez e agilidade” não estão entre as melhores qualidades do povo baiano… ).

Um bom tempo depois, finalmente estávamos atravessando o túnel de bambus e sentindo o calor da noite quente do verão da Bahia.

Acordar cedinho, dar uma volta na praia, voltar pro Hotel e tomar um café da manhã maravilhoso, com direito a frutas, sucos, frios, pão de queijo, bolo de aipim, biscoito de polvilho, cuscuz de tapioca com leite de coco, salgadinhos, biju e outras mil delícias foi a injeção de ânimos necessária para pegar um táxi (ainda com a roupa da viagem) enfrentar um transito infernal para ir ao shopping comprar biquíni e uma roupinha de verão para poder aproveitar o dia.

Não deu pra desfrutar muito dos primeiros dias com a preocupação (e a incomodidade) de não saber se chegaria (e quando) nossa bagagem. Alem do mais ficamos um pouco monotemáticos com o preço das coisas… Achando tudo caríssimo e constatando que esse ano ia ser impossível fazer tudo que tínhamos planejado.

Das coisas gostosas dessa primeira parte da viagem, tem o Porto da Barra e o pôr do sol… ir encontrando alguns amigos… a cerveja geladinha, o picolé Capelinha, o queijo coalho no palito, o abará da Dinha, o sol de manhãzinha pra recarregar energia e ir acostumando o corpo ao calor.

 

Foram 5 dias em Salvador e pra fechar com chave de ouro essa primeira parte das férias, teve encontrinho bloguistico na praia. Com a Paloma, a Roberta, a Eva, a Mariana, e os respectivos filhotes (e alguns papais). Pena que passou voando… mas foi uma delicia encontrar pessoalmente os sobrinhos virtuais que a gente acompanha quase diariamente. Adorei meninas!!!

Ficou faltando a Mari do Viciados em colo, na minha foto… Cadê você Mari? Mas ela estava lá. garanto!

Nesse mesmo dia, pegamos o ônibus pro interior, já era hora de matar a saudade da família… mas isso é assunto pra outro post.

PS.:

A falta de posts dessas ultimas semanas é inversamente proporcional a vontade de escrever e a quantidade de coisas que borbulham na minha cabeça desde que chegamos ao Brasil…

Mas é que a Bahia tem tanto axé e energia que deixa a gente assim…um pouco cansado… com uma preguiça gostosa de ir deixando tudo pra depois.

Então antes tarde do que nunca. Feliz 2011 pessoas queridas que passam por aqui… devagarinho vou voltando a ativa, mas não garanto muitas visitas nos blogs amigos porque né? É verão moçada e estamos preguiçosamente de férias.

Sobre a VIP e o post VIP

Cada vez que o blog se acerca ao numero multiple de 10mil, ao colocar o link dos VIPs no post que anuncia a brincadeira, releio e me delicio com os posts dos “convidados”… Percebo o capricho e cuidado que foram escritos… e me sinto realmente feliz por fazer parte dessa blogosfera tão querida.

E não podia ser diferente com o VIP dos 100 mil.

Dessa vez o visitante VIP, chegou exatamente no número 100.000, aceitou o desafio e me enviou esse post adorável.

Obrigada Bia, pelo carinho. E benvinda aos VIPs do Astronauta.

(pra quem não conhece a Bia. Ela é a mãe do Arthur e escreve lindamente lá no bula da Bia.
Passem !)


Ultimamente eu acesso a internet pelo celular, entre uma atividade e outra… Quando entrei no blog do Astronauta e vi o número redondinho tomei um susto! Pensei: comento, não comento? Será que sou eu? Hum, mais 6 pessoas on line, serei mesmo a centézima milézima? (é assim que se diz?) Comentei, e esqueci.

4 da manhã, depois de dar de mamar eu perco o sono. Resolvo acessar a internet  novamente do celular, só para ler um pouquinho antes de voltar a dormir. Como leio pelo reader logo vejo a atualização no post, é a Flávia dizendo que tinha ocultado o comentário vencedor. Dou uma lida nos comentários, ué, cadê o meu? Aliás, cadê o sono? E agora? Ai ai ai, onde eu fui amarrar o meu bode! Passei o restinho da noite e o amanhecer pensando no que escrever, quanta responsabilidade!
Então resolvi deixar a cabeça viajar entre a insônia e a euforia de ter sido “contemplada” com tamanha honra, e justo em um número tão legal.
E saiu isso aqui, que antes de ser digitado, editado N vezes e enviado foi escrito e rabiscado mil vezes em um papel qualquer:

Eu nasci e vivo em uma cidadezinha no interior do Rio Grande do Sul, e cresci andando a cavalo, subindo em árvores, correndo pelo campo e querendo conhecer o mundo.
Minha mãe tinha um barzinho, meu pai era um misto de camioneiro e bolicheiro, e também comprava e vendia carros, enfim: fazia de tudo para nos dar o seu melhor. Em uma dessas andanças ele foi vendedor de enciclopédias (aqui vale dizer que meus pais só estudaram até a quarta série). Ele saía de casa com a sua belina amarela cheia de livros, e passava o dia todo na rua, batendo de porta em porta e oferecendo uma cultura da qual ele mesmo carecia. Às vezes eu ia com ele, e para me entreter ele me deixava folhear “com muito cuidado” os livrinhos infantis, enquanto eu o via sumir ao final da rua com pilhas e pilhas de livros nos braços.
Foi acertado com a editora que ele depositaria os ganhos semanalmente  e receberia sua parte ao final da venda de todos os lotes de livros, mas qual foi a surpresa ao descobrir que esta editora que ele representava faliu, e ele jamais receberia pelo trabalho feito…
O resultado foi que ele ficou com muitos livros, dos mais diversos, desde enciclopédias completas até livros infantis. Lembro de ter sentido culpa, pois eu desejei tanto ser dona de todos aqueles livros, e agora meu pai estava sofrendo por ter ficado no prejuízo! Mas como na vida há males que vem para o bem, foi ali,  do calote tomado pelo meu pobre pai que pude alimentar a minha paixão pela leitura. E aos 5 anos eu lia muito. Era através dos livros que eu podia ser qualquer coisa, podia viajar, conhecer pessoas, culturas, enfim. Podia viver mais de uma vida, ou como disse Schopenhauer: pensar com cabeças alheias, em lugar da minha própria cabeça.
(…)
E o tempo passou.
Eu segui lendo muito, e já adulta, morando sozinha, fazendo faculdade e trabalhando em 4 empregos diferentes descobri a internet. Mas achava aquela rede muito vazia, não me sentia conectada, nunca me interessei muito.
Em 2004 me formei e fui morar na capital. E foi nessa época que comecei o meu blog, com o objetivo de guardar lembranças, como aquela velha gaveta da bagunça, e nada mais. Me separei, trabalhei como louca, viajei pelo Brasil, me deslumbrei, me estressei, e voltei ao meu porto seguro: meu marido. Juntos, resolvemos que já era hora de voltar para a nossa cidadezinha e começar a nossa família longe daquela loucura toda.
O blog só começou a fazer sentido quando fiquei grávida (assim como a minha vida toda, olha só que suis generis)… Comecei tímida, e aos poucos fui pegando gosto pela coisa, também, tanta coisa para contar! Confesso que hoje mais leio do que escrevo, não tenho muito tino para a coisa, sabe?
Através dessa leitura tão informal eu me divirto muito! Quem diria que eu poderia me sentir tomando chimarrão de chinelos e cabelo despenteado em alguma praça na Espanha, ou vestindo o meu pijama enquanto me emociono e viajo ao Caribe? Ou aprendendo sobre o caga Tió? É através dessa rede blogueira que eu viajo o mundo, vivo mil vidas, mil histórias e me sinto parte de mil famílias.
E é por isso que finalizo esse post com um agradecimento especial a Flavia, por me permitir assistir de tão perto o desenvolvimento do João, mesmo estando tão longe. Flavia, é muito provável que nunca  tenhamos a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, mas saibas que tens por aqui uma amiga J
Beijos!

Bia
Ps- momento mãe coruja: Sabia que o Arthur está no vídeo em homenagem ao João? (aos 2:12 min, para ser mais exata)…
Ps2- e eu chorei (de novo, foi a quarta vez) só ao assistir o vídeo para dizer isso para vocês… ai ai

3 ANOS

Desejos para o Astronauta, no seu aniversário de 3 anos.

Músicas:  (Igloo – Karen O And The Kids – All Is Love – Karen O And The Kids)

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