Cada vez que o blog se acerca ao numero multiple de 10mil, ao colocar o link dos VIPs no post que anuncia a brincadeira, releio e me delicio com os posts dos “convidados”… Percebo o capricho e cuidado que foram escritos… e me sinto realmente feliz por fazer parte dessa blogosfera tão querida.
E não podia ser diferente com o VIP dos 100 mil.
Dessa vez o visitante VIP, chegou exatamente no número 100.000, aceitou o desafio e me enviou esse post adorável.
Obrigada Bia, pelo carinho. E benvinda aos VIPs do Astronauta.
(pra quem não conhece a Bia. Ela é a mãe do Arthur e escreve lindamente lá no bula da Bia.
Passem lá!)
Ultimamente eu acesso a internet pelo celular, entre uma atividade e outra… Quando entrei no blog do Astronauta e vi o número redondinho tomei um susto! Pensei: comento, não comento? Será que sou eu? Hum, mais 6 pessoas on line, serei mesmo a centézima milézima? (é assim que se diz?) Comentei, e esqueci.
4 da manhã, depois de dar de mamar eu perco o sono. Resolvo acessar a internet novamente do celular, só para ler um pouquinho antes de voltar a dormir. Como leio pelo reader logo vejo a atualização no post, é a Flávia dizendo que tinha ocultado o comentário vencedor. Dou uma lida nos comentários, ué, cadê o meu? Aliás, cadê o sono? E agora? Ai ai ai, onde eu fui amarrar o meu bode! Passei o restinho da noite e o amanhecer pensando no que escrever, quanta responsabilidade!
Então resolvi deixar a cabeça viajar entre a insônia e a euforia de ter sido “contemplada” com tamanha honra, e justo em um número tão legal.
E saiu isso aqui, que antes de ser digitado, editado N vezes e enviado foi escrito e rabiscado mil vezes em um papel qualquer:
Eu nasci e vivo em uma cidadezinha no interior do Rio Grande do Sul, e cresci andando a cavalo, subindo em árvores, correndo pelo campo e querendo conhecer o mundo.
Minha mãe tinha um barzinho, meu pai era um misto de camioneiro e bolicheiro, e também comprava e vendia carros, enfim: fazia de tudo para nos dar o seu melhor. Em uma dessas andanças ele foi vendedor de enciclopédias (aqui vale dizer que meus pais só estudaram até a quarta série). Ele saía de casa com a sua belina amarela cheia de livros, e passava o dia todo na rua, batendo de porta em porta e oferecendo uma cultura da qual ele mesmo carecia. Às vezes eu ia com ele, e para me entreter ele me deixava folhear “com muito cuidado” os livrinhos infantis, enquanto eu o via sumir ao final da rua com pilhas e pilhas de livros nos braços.
Foi acertado com a editora que ele depositaria os ganhos semanalmente e receberia sua parte ao final da venda de todos os lotes de livros, mas qual foi a surpresa ao descobrir que esta editora que ele representava faliu, e ele jamais receberia pelo trabalho feito…
O resultado foi que ele ficou com muitos livros, dos mais diversos, desde enciclopédias completas até livros infantis. Lembro de ter sentido culpa, pois eu desejei tanto ser dona de todos aqueles livros, e agora meu pai estava sofrendo por ter ficado no prejuízo! Mas como na vida há males que vem para o bem, foi ali, do calote tomado pelo meu pobre pai que pude alimentar a minha paixão pela leitura. E aos 5 anos eu lia muito. Era através dos livros que eu podia ser qualquer coisa, podia viajar, conhecer pessoas, culturas, enfim. Podia viver mais de uma vida, ou como disse Schopenhauer: pensar com cabeças alheias, em lugar da minha própria cabeça.
(…)
E o tempo passou.
Eu segui lendo muito, e já adulta, morando sozinha, fazendo faculdade e trabalhando em 4 empregos diferentes descobri a internet. Mas achava aquela rede muito vazia, não me sentia conectada, nunca me interessei muito.
Em 2004 me formei e fui morar na capital. E foi nessa época que comecei o meu blog, com o objetivo de guardar lembranças, como aquela velha gaveta da bagunça, e nada mais. Me separei, trabalhei como louca, viajei pelo Brasil, me deslumbrei, me estressei, e voltei ao meu porto seguro: meu marido. Juntos, resolvemos que já era hora de voltar para a nossa cidadezinha e começar a nossa família longe daquela loucura toda.
O blog só começou a fazer sentido quando fiquei grávida (assim como a minha vida toda, olha só que suis generis)… Comecei tímida, e aos poucos fui pegando gosto pela coisa, também, tanta coisa para contar! Confesso que hoje mais leio do que escrevo, não tenho muito tino para a coisa, sabe?
Através dessa leitura tão informal eu me divirto muito! Quem diria que eu poderia me sentir tomando chimarrão de chinelos e cabelo despenteado em alguma praça na Espanha, ou vestindo o meu pijama enquanto me emociono e viajo ao Caribe? Ou aprendendo sobre o caga Tió? É através dessa rede blogueira que eu viajo o mundo, vivo mil vidas, mil histórias e me sinto parte de mil famílias.
E é por isso que finalizo esse post com um agradecimento especial a Flavia, por me permitir assistir de tão perto o desenvolvimento do João, mesmo estando tão longe. Flavia, é muito provável que nunca tenhamos a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, mas saibas que tens por aqui uma amiga J
Beijos!
Bia
Ps- momento mãe coruja: Sabia que o Arthur está no vídeo em homenagem ao João? (aos 2:12 min, para ser mais exata)…
Ps2- e eu chorei (de novo, foi a quarta vez) só ao assistir o vídeo para dizer isso para vocês… ai ai