Sobrevivendo ao despatriamento (e sendo feliz!)

A Ciça do blog “Uma Papachibé e sua Égua” lançou a blogagem coletiva, SOBREVIVENDO AO DESPATRIAMENTO (e sendo feliz!), para hoje 04/10, e desde ontem tento escrever alguma coisa sobre esse sentimento ambíguo que é ser estrangeira e sobre as saudades, tristezas, alegrias e conquistas de ser um despatriado… mas não rolou post…
Não estava muito inspirada e ainda mais estava envolvida com um novo sentimento… um sentimento instantaneo de “patriotismo” que tomou conta de mim esses ultimos dias.

Confesso que nem dava muita bola pra todo esse frenesi das olimpíadas… Mas quando vi o Lula falando do nosso Brasil, descrevendo lindamente o povo brasileiro e chorando emocionado na entrevista coletiva… senti uma emoção deliciosa que me fez sentir mais brasileira que nunca e orgulhosa de fazer parte dessa nação que vive intensamente, “desse povo apaixonado pelo esporte e apaixonado pela vida”, que se emociona, chora, ri e que não tem vergonha de ser feliz.
Mas… como eu também sou uma dessas que despatriou-se por opção e que também tem um orgulho danado dessa escolha e do caminho que trilhei pra chegar até aqui, não podia ficar fora dessa blogagem…

Então deixo um link do lindo post que minha querida cumadre Bel fez para comemorar os 9 anos em Barcelona, um post que fala sobre as dificuldades e as conquistas de um despatriado, mas que também reflete a paixão e a fé do povo brasileiro.

Com vocês:

O 3.285º dia. Muchas gracias Barcelona!

Enjoy!

18 Comments

  1. Que post lindo.
    Em poucas palavras falaste com o coraçao!
    Um beijo e boa semana!

  2. Flavia, estou indo pra la conferir!
    Isso que vc falou é verdade… Eu tb fiquei orgulhosa com a conquista do Brasil para sediar as olimpiadas e vi o video Lula algumas vezes, me emocionei. Bateu aquele aperto ao ver as imagens (lindas) do Rio de Janeiro e com isso ja vem a lembrança do povo, que é alegre, bem humorado, mesmo diante de difculdades… Realmente, é um sentimento de ambiguidade, pois estamos fora do Brasil por opção e nos orgulhamos de ver e sentir como as coisas funcionam bem e com eficiencia, sem despedicios… Mas agora, ver o nosso Brasilzão tomando um espaço desses, o coração bate na cor verde-amarela. Beijos e valeu pela dica de blog!

  3. Mana eu tô com um sentimento tao ambíguo por conta dessa Copa/Olimpíada que tu nem imaginas… mas disso eu falo depois ehhehehe

    Obrigada por participar minha linda. Mesmo sem inspiracao, tu mandas bem… e tua comadre entao… égua da pequena!!!!!!!!!!

  4. Flavia, eu entendo a ambiguidade das emoçoes, pq por um lado a gente cansa de certas coisas que vemos o tempo todo no Brasil, desestimula a gente, mas apesar disso essas diferenças nos fascinam. É dificil viver numa montanha russa.

    Acho que todos tem vontade as vezes de pular do barco e navegar por terras distantes, acho q o q impede a gente eh aquilo que deixamos pra tras, eu ate tenho vontade mas nao teria coragem, sentiria muita falta da minha familia, sou muito medrosa!hehe

    Eu tbm achei bonita a comemoraçao deles, td bem q em parte a gente sabe q alguns pulos de alegrias significavam ” ebaaaaaa, vou encher o bolso” mas ainda assim vai ser muito bom para o pais e para quem souber aproveitar as oportunidades.
    Tinha minhas duvidas dos beneficios, mas varios especialistas ja garantiram que todo dinheiro ira voltar em forma de imposto… tomara que ajude muito de forma direta e indireta a populaçao, eu no Rio espero q pelo menos na segurança e na saude tenhamos algumas mudanças!

    beijocas pra vcs!

  5. O discurso do Lula foi lindo mesmo. Achei que este texto tem a ver com o que vc falou aqui: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/03/um-presidente-sem-rancor/

    Petons!

  6. Ei Flavia, adorei seu post! Parabens!

    Tb compartilho do mesmo sentimento de orgulho por ser brasileira, mas ao mesmo tempo ainda me sinto realizada por morar fora (por opcao). Li o post que vc indicou e tb me identifiquei muito.

    E hoje, mesmo morando na Australia, e ainda me sentindo só na maior parte do tempo, não deixo de levar o melhor do Brasil que existe em mim: meu sorriso, sempre.

    E um dia, eu sei que volto pra lá…

    Beijos (e agora me bateu uma saudade danada de grande da minha terrinha!)

  7. Flávia, também tenho muito orgulho de ser brasileira, de fazer parte desse povo que tem a emoção a flor da pele, que chora junto, que abraça, que xinga, que festeja…
    Deve ser muito bom morar forar, não esquecendo das suas raízes, mas de conhecer outras culturas, outra realidade. Tendemos a querer sempre o melhor!
    Bela participação!
    Também estou participando dessa, mesmo que more no Brasil, mas sou uma 'desnaturalizada'… rsrsrsrs
    Bjs, querida!

  8. Ai Fla, fiquei emocionada pela indicação!! nesse domingo de ressaca tá uma beleza ver o blog bombando!! :)

    lindo o seu post também. “Ontem eu acordei com uma vontade danada de bater na porta do vizinho e desejar bom e de beijar o português da padaria”… :) aí eu coloquei aquela camisa do Brasil de Jonas e fui passear toda orgulhosa!! Recebi parabéns e tudo!

    Beijos cumadre e obrigada pela divulgação!

  9. É Flávia, vc disse tudo.
    Também chorei e griteiu quando ouvi o resultado. E por pior que seja ou esteja aquela terrinha, é lá que estão as minhas raízes e é de lá que muitas vezes choro de saudade.

    Beijos

  10. eu fiquei emocionadíssima na sexta com a coisa do Rio de Janeiro. Abracei a argentinada toda, fiz uma festa.

    e ao longo do final de semana, inspirada por isso tudo, tive muitas conversas com Maridón sobre voltar ou não pro Brasil… e sabe que definimos que não?

    A experiência de viver fora te faz viver acompanhada pela saudade, mas nem por isso tenho vontade de sair correndo de volta não!

    beijos, ótimo indicação de post, adorei!
    Carol
    http://carolesuasbabybobeiras.blogspot.com/

  11. Estou na Espanha a 5 anos e meio, foi minha escolha estar aqui e sou muito feliz com a família em construçao, rsssss
    Masssssssssssssssssss amo meu Brasil e choro sim de saudades, é minha terra, que ainda chamo de minha casa!
    Fiquei feliz demais com essa conquista e é verdade que essa dose dupla me balançou, e estou mais patriota que nunca.
    beijocas

  12. Flávia, o bom mesmo é a gente ser feliz com as nossas escolhas, e saber que na hora que for oportuno, conveniente, possível, e sobretudo, quando nos der vontade, pode voltar às nossas origens. Nem que seja só pra matar as saudades. Besos,

  13. coisa mais linda. li la e li aqui de novo.
    saudades daqui. vou ler tudinho.

    beijo!

  14. Esse sentimento ambíguo que nos acompanha.Razão e coração cada um com seus argumentos. Esses últimos tempos o coração ta gritando seus argumentos rs rs

    E me lembra Carlos Drummond de Andrade ( A Ilusão do Migrante)

    Quando vim da minha terra,
    se é que vim da minha terra
    (não estou morto por lá?),
    a correnteza do rio
    me sussurrou vagamente
    que eu havia de quedar
    lá donde me despedia.

    Os morros, empalidecidos
    no entrecerrar-se da tarde,
    pareciam me dizer
    que não se pode voltar,
    porque tudo é conseqüência
    de um certo nascer ali.

    Quando vim, se é que vim
    de algum para outro lugar,
    o mundo girava, alheio
    à minha baça pessoa,
    e no seu giro entrevi
    que não se vai nem se volta
    de sítio algum a nenhum.

    ( … )

    Quando vim da minha terra,
    não vim, perdi-me no espaço,
    na ilusão de ter saído.
    Ai de mim, nunca saí.
    Lá estou eu, enterrado
    por baixo de falas mansas,
    por baixo de negras sombras,
    por baixo de lavras de ouro,
    por baixo de gerações,
    por baixo, eu sei, de mim mesmo,
    este vivente enganado,
    enganoso.

    Beijos

  15. Este é um assunto que, particularmente, me interessa muito, apesar de não ser uma expatriada. Vou lá dar uma olhadinha. Beijos nos dois!

  16. Flavia, imagina eu carioca ouvindo isso daqui da Alemanha. A vibracao foi total, rs.

    Abracos

  17. oi!
    o frenesi das olimpíadas não me pegou… confesso que fico com uma pulga atrás da orelha com o que vai acontecer no rio, a “pacificação” das favelas, e otras cositas más… sem contar que estamos veladamente já em plenas campanhas para as eleições do ano que vem, e essa coisa toda me soa meio “pão e circo”…
    mas, enfim, sem querer ser a chata, quem sabe eu levo o caio pra ver os jogos… rá!!!
    e acho que esse patriotismo acaba ressoando mais forte em quem tá fora também, não sei…
    o que eu sei é que eu não conseguiria morar tanto tempo longe do Brasil, admiro quem, como você, se joga de cabeça nessa outra vida!!!
    beijo

  18. OI, Flavia. Adorei esse seu post. Tambem sou uma das despatriadas… Pe lah e outro aqui. Demorou muito pra eu conseguir entrar no aviao depois de ferias no Brasil e pensar: “ai que bom, to indo pra casa”, mas depois de quase 8 anos aqui em NY e tendo voltado pra SP por quase 1 ano, posso dizer, por experienica propria: nao pertenco 100% a nenhum lugar. Mesmo antes de vir pra EUA sempre fui super interessada neste negocio de identidade, ser estrageiro (meu TCC em psicologia teve a ver com isso), mas soh agora consigo entender que pra ser feliz mesmo eh nao cobrar de voce exclusividade patriotica (acabei de inventar o termo! HA!). Meu coracao vai ser sempre verde amarelo (mais especificamente alvinegro e da fiel!), mas minha casa mesmo eh aqui.
    Fiquei ateh inspirada pra fazer um post sobre o assunto no meu blog. Se quiser visitar, serah um prazer (Os Novos Yorkinos: http://www.andreacouto.blogspot.com)
    Beijos

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